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Para BC, alívio é temporário

Em reunião com economistas, Mário Torós previu retomada da alta no quarto trimestre

Francisco Carlos de Assis, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2008 | 00h00

O alívio inflacionário mostrado pelos mais recentes indicadores de preços é pontual e insuficiente para levar o Banco Central a interromper o ciclo de aperto monetário, iniciado em abril. Essa parece ter sido a percepção dos economistas de bancos e administradoras de recursos (assets) que participaram na sexta-feira passada, a convite de um banco, de uma reunião com o diretor de Política Monetária do BC, Mário Torós.Segundo confidenciou ao Estado um participante do encontro em São Paulo, o representante da autoridade monetária teria frisado várias vezes a preocupação do BC com o crescimento ainda forte da demanda e seus efeitos sobre a inflação. Torós, segundo a fonte, teria deixado claro para a platéia de economistas que a desaceleração recente da inflação, aos olhos do BC, é pontual e a partir do quarto trimestre retomará a trajetória de alta. Torós teria afirmado também que a autoridade monetária continuará a reagir com vigor à elevação dos preços, numa sinalização clara de que a Selic continuará a subir - provavelmente na mesma magnitude da última reunião do Copom, de 0,75 ponto porcentual.Na segunda-feira, também em São Paulo, o diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, fez discurso semelhante, afirmando, durante um seminário, que a pesquisa Focus aponta para este ano inflação muito próxima do teto da meta, de 6,5%, e cogitou a possibilidade de, até o fim do ano, em alguns meses, a taxa acumulada ficar maior. Mesquita acredita, porém, que a tendência futura será de baixa, e afirmou que o BC levaria a inflação ao centro da meta no próximo ano.A concessão de crédito, pelo que os economistas puderam perceber, é uma das variáveis que mais preocupam os diretores do BC. Segundo a fonte, um economista teria confrontado Torós, alegando que determinada modalidade de crédito já se encontra em queda, ao que o diretor teria respondido: "Você está me falando de uma modalidade de crédito. Eu conheço 30, das quais 29 estão subindo", disse o diretor do BC."Nossa opinião e de muitos que participaram da reunião é de que o Copom vai promover mais duas elevações de 0,75 ponto porcentual da Selic (setembro e outubro) e mais uma de 0,50 ponto em dezembro", disse a fonte. Seriam mais 2 pontos porcentuais de aumento da Selic, que passaria dos atuais 13% ao ano para 15%. Ainda segundo a fonte, Torós teria se mostrado preocupado com o chamado "wage premium" - aumentos dos salários a profissionais altamente qualificados, e seus efeitos sobre a inflação. O wage premium, muito usado nos Estados Unidos na década de 80, vem sendo praticado pelas empresas brasileiras tanto para evitar a saída desses funcionários como para atrair profissionais qualificados de suas concorrentes.

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