Para BC, compra de dólar não influi no câmbio

Para BC, compra de dólar não influi no câmbio

A taxa do dólar tem sido determinada pela percepção global de risco e por expectativas de fluxos cambiais futuros, avalia o diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes. Mas, "apesar do que o senso comum indica", não tem tido influência direta do fluxo cambial. Segundo ele, as decisões de compras de dólares pelo BC não têm como objetivo intervir na cotação da moeda, e sim aumentar as reservas do País.

Jacqueline Farid / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

As afirmações, feitas por Mendes em seminário realizado ontem no Rio, funcionaram como resposta indireta à defesa que o gerente executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flavio Castelo Branco, fez no mesmo evento, de que é preciso uma taxa de câmbio "menos volátil" para garantir a competitividade da indústria brasileira.

Mendes disse que, quando a percepção ou aversão de risco global aumentam, os investidores retornam ao dólar como um porto seguro, deixando de lado ações, commodities e moedas como o real. "Quando há menos risco, há maior demanda por moedas como o real e o dólar australiano, que tem padrão de comportamento próximo ao real."

Mendes acrescentou que o BC não tem a intenção de determinar a taxa de câmbio, "mas quer aumentar reservas e sempre com visão de longo prazo". Em entrevista após a palestra, ele disse acreditar que, ao contrário do que ocorreu em 2002, o processo eleitoral deste ano não afetará a cotação do dólar. "A economia brasileira hoje tem um grau de maturidade, com estabilidade de preços e câmbio livre."

Indústria. Para Castelo Branco, da CNI, o câmbio tem sido um dos desafios da indústria brasileira, que ainda não se recuperou das fortes turbulências do fim de 2008. Para ele, o setor industrial só deve voltar ao nível pré-crise "ao longo do primeiro semestre de 2010". E o nível de emprego também ainda é inferior ao momento pré-crise, mas a recuperação ocorrerá ao longo do ano.

Efeito externo

ALDO LUIZ MENDES

DIRETOR DE POLÍTICA MONETÁRIA DO BANCO CENTRAL

"Quando há menos risco,

há maior demanda por

moedas como o real e o dólar australiano, que tem padrão de comportamento próximo ao real"

"A economia brasileira

hoje tem um grau de maturidade, com estabilidade de preços

e câmbio livre"

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