Para BC, há descasamento entre oferta e demanda

O novo diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, afirmou hoje que há um descasamento entre a oferta e a demanda no Brasil, o que "certamente" tem impacto na inflação.

FABIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

31 de março de 2010 | 12h55

Durante entrevista sobre o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na manhã de hoje, Hamilton ressaltou que a inflação teve um impacto negativo na renda da população, especialmente na camada mais baixa, e que o BC tem mostrado nos últimos anos que atua pelo tempo que for necessário para garantir a preservação do poder aquisitivo da população.

Hamilton disse ainda que a autoridade monetária continua trabalhando para levar a inflação ao centro da meta de 4,5%. Ele rechaçou a avaliação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) teria alterado seu comportamento em março, ao manter a Selic (a taxa básica de juros da economia) em 8,75% ao ano, apesar do aumento das projeções oficiais de inflação. "As decisões são sempre técnicas para manter a inflação na meta no horizonte em que a política monetária pode atuar", afirmou.

Ele comentou que a decisão de março do Copom foi tomada com base nos dados disponíveis naquele momento e a manutenção do juro foi a opção que o colegiado "avaliou como sendo a mais adequada para o momento". A reunião do Copom foi realizada nos dias 16 e 17 de março.

Ao ser questionado sobre se o BC "desistiu" do centro da meta de inflação em 2010, de 4,5%, e estaria mirando apenas este patamar em 2011, Hamilton respondeu laconicamente: "temos que aguardar janeiro de 2011 para averiguar isso", ao reforçar que o Copom tem como objetivo permanente levar a inflação à meta.

Ao comentar a expectativa oficial do BC de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 5,2% em 2010, Hamilton afirmou que "evidentemente a economia é constantemente atingida por choques, alguns favoráveis e outros desfavoráveis". "Por isso, às vezes, a inflação fica acima do centro da meta e, às vezes, abaixo do centro da meta. A inflação nunca fica em cima da meta, mas as decisões são para manter a inflação na meta", disse.

Hamilton também apresentou estudo que consta do relatório que mostra que, apesar do aumento do endividamento das famílias, as pessoas físicas ainda têm espaço em relação à renda para tomar mais crédito. Segundo ele, a queda dos juros neste segmento, observada nos últimos meses, e o recente alongamento dos prazos permitiram a redução do chamado "serviço da dívida" das famílias. Ele não quis comentar o comportamento desse indicador diante da possibilidade de aumento dos juros em abril.

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