Para BC, queda da inflação vai surpreender

BASTIDOR: Adriana Fernandes

O Estado de S.Paulo

18 de março de 2015 | 02h04

O Banco Central está seguro de que conseguirá limitar a 2015 os efeitos de alta na inflação provocados pelos ajustes de correção de preços administrados e da taxa de câmbio. A forte alta do IPCA ao longo do ano não "transbordará" para 2016, asseguram fontes da instituição.

Apesar da forte pressão deste ano, o BC avalia que um conjunto de fatores favoráveis empurrará o IPCA para baixo e vai garantir a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% ainda em 2016. São eles: demanda e crédito ao consumidor moderados, brasileiro mais cauteloso e mercado de trabalho menos aquecido e mais competitivo.

O comportamento das pessoas num ambiente sem a euforia dos tempos recentes terá papel fundamental para levar a inflação em direção ao centro da meta, trajetória considerada perfeitamente "plausível" de ser alcançada no ano que vem pelo BC.

Nesse cenário menos aquecido, as reivindicações salariais devem diminuir. É muito provável, diz o BC, que o fenômeno observado nos últimos anos, de diminuição da participação dos jovens no mercado de trabalho, comece a mudar.

Esse movimento ocorrerá num quadro em que as pessoas estão mais cautelosas e há necessidade de todos os membros da família assegurarem uma renda maior para o domicílio.

Os jovens, que antes podiam adiar sua entrada no mercado de trabalho, devem passar a procurar emprego, aumentando a competição.

O BC avalia que a sociedade vai encontrar um ponto de equilíbrio mais saudável e não transmitirá os aumentos de preços deste ano nas suas reivindicações salariais. Além disso, o cenário econômico desafiador deixa o consumidor mais exigente, olhando com mais atenção para o preço dos produtos e serviços que estão sendo adquiridos.

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