Para BCs, emergentes não foram afetados pela crise

Devido à interdependência, 'cenário ainda é de risco', afirma o presidente do Banco Central Europeu

ANDREI NETTO, Agencia Estado

07 de janeiro de 2008 | 10h52

O encontro de presidentes de bancos centrais, na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Basiléia (Suíça), terminou nesta segunda-feira, 7, sob o signo da prudência diante da crise imobiliária vivida pelas economias dos Estados Unidos e da Europa e das pressões inflacionárias globais causadas pela elevação dos preços de alimentos e commodities.Em entrevista à imprensa, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) e coordenador do grupo, Jean-Claude Trichet, disse que os riscos de turbulências econômicas persistem, e que a crise norte-americana ainda tem poder de contagiar o mundo. Sobre países emergentes, Trichet se mostrou impressionado com o desempenho de suas economias e disse não ver abalos até o momento.Trichet demonstrou prudência diante da crise do crédito subprime (de maior risco de inadimplência) iniciada em agosto passado nos EUA. Segundo seu relato, os presidentes de bancos centrais entendem que o cenário ainda é de risco. "Nos consideramos interdependentes e precisamos analisar os cenários e trocar informações para entender o que acontece. É claro que precisamos ficar atentos ao que acontece nos Estados Unidos, porque os efeitos podem ter impacto em todo o mundo."Ação dos BCsO presidente do BCE disse que o diagnóstico não mudou desde o último evento do BIS, na Cidade do Cabo. A novidade é que a ação conjunta do banco central americano (Fed), do BCE e de bancos nacionais da Suíça, da Inglaterra e do Canadá resultou em uma prova de força das instituições. "A ação dos bancos centrais provou que temos capacidade de influenciar os rumos e disciplinar os mercados", disse Trichet.Os países emergentes foram alvos de elogios. Segundo o francês, há uma "grande e dinâmica parte do globo que segue intocada pela crise". "No momento em que estamos falando, as economias emergentes estão se mostrando muito dinâmicas e não temos indícios de contágio", disse, para então alertar: "Mas somos todos interdependentes". Segundo Trichet, as conseqüências futuras da crise continuam em aberto.Sobre inflação, o presidente do BCE disse que a pressão pela alta dos preços se soma às incertezas, em especial pela elevação do preço internacionais das matérias-primas, como petróleo e alimentação. "Estes riscos estão aí. Alimentos e petróleo representam, é claro, riscos de inflação."

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