Para BCs, recuperação é frágil

Reunidos na Suíça, presidentes de bancos centrais advertem para risco de nova retração

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, adotou um tom de cautela em relação à recuperação da economia mundial e brasileira e alerta que o País não estaria imune a uma nova onda de queda dos mercados. Ao contrário do otimismo adotado pelo Palácio do Planalto, Meirelles ainda insinua que o Brasil precisa começar a pensar em uma estratégia de saída e em um modelo de recuperação que não dependa de incentivos e medidas de estímulo. Mas alerta que a retirada dos pacotes não pode ocorrer de forma prematura.Ontem, na Basileia, os presidentes dos principais bancos centrais do mundo pediram cautela e alertaram que economias que estariam dando os principais sinais de uma recuperação poderiam ser vítimas de nova onda de queda nos mercados se a estabilização for comprometida. Para Meirelles, que participa dos debates nesta semana, a crise é muito séria. Ele diz que o resultado do segundo trimestre no Brasil será fundamental para determinar a recuperação da economia nacional. Os xerifes das finanças internacionais terminaram dois dias de reuniões do Conselho de Estabilidade Global com a conclusão de que há ainda uma importante fragilidade dos mercados e que os sinais de recuperação ainda não são convincentes. O que todos se perguntam é se de fato esses sinais positivos são sustentáveis e até que ponto medidas de incentivos poderão ser mantidas. O Brasil, segundo Meirelles, também seria afetado se uma nova onda de queda dos mercados voltasse a ocorrer. "Não há dúvida de que, se houver uma reversão desse processo de recuperação, isso teria algum efeito sobre o Brasil", disse Meirelles. "O Brasil não estaria imune a uma nova retração mundial".Ele insiste que o Brasil está mostrando que sua recuperação tem um grau de sustentabilidade maior que outras regiões, mostrando maior resistência. O Banco Mundial previu na sexta-feira que a economia brasileira teria um crescimento de 0,8% em 2009. Para Meirelles, os resultados do segundo trimestre serão fundamentais para saber o que ocorrerá no restante do ano."Existem sinais de uma recuperação da economia mundial, desde alguns índices e como indicadores americanos mostrando a diminuição do ritmo de queda nos Estados Unidos, aproximando-se do que seria de um piso", afirmou Meirelles. "Há uma recuperação de preço de commodities, que é sinal que pode ser significativo e movimentação dos mercados, não só de ações como títulos. No entanto, existe uma recomendação de cautela porque ainda existe uma certa fragilidade nesses indicadores", destacou o presidente do Banco Central.O que todos temem é de que essa recuperação não seja um movimento sustentável. A preocupação é de que a recuperação esteja sendo, no fundo, apenas um resultado dos incentivos fiscais. Para complicar, BCs se perguntam até que ponto será possível continuar com os estímulos dados pelos governos e o que acontecerá quando começar a ser revertido o processo de estímulo. Até agora, mais de US$ 5 trilhões já foram prometidos por governos em medidas de resgate."Há muitas questões ainda sobre os incentivos. Quanto tempo cada país pode manter esses incentivos. Não há resposta ainda para isso", disse Meirelles. A esperança é que as economias dos Estados Unidos e Europa voltem a se recuperar para permitir que as medidas de incentivos sejam retiradas. Outra dúvida é quanto a capacidade da China de sustentar um processo de recuperação da economia mundial, sem que Estados Unidos e Europa voltem a crescer.

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