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Para Belluzzo, corte da Selic não aquecerá economia

O economista da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, previu que o Copom fará um corte de pelo menos dois pontos percentuais na taxa de juros, ainda insuficiente para aquecer fortemente a economia. "Nós estamos numa situação em que um corte nos juros nominais ainda nos deixa com uma taxa real muito alta", lembrou Belluzzo. Entrevistado no Conta Corrente, ele previu que essa redução deverá levar a um lento aquecimento econômico, a ser iniciada nos próximos meses. "Nós não devemos colocar muita expectativa na retomada do crescimento num horizonte dos próximos seis meses. A economia não vai sair crescendo rapidamente. A retomada é lenta, até porque isso corresponde a esse tipo de cautela que o Banco Central tem tomado em relação à queda dos juros."Indagado se o País teria condições de chegar aos 15% de juros como patamar para o próximo ano, Belluzzo foi taxativo: "Na atual situação cambial, fiscal e de balanço de pagamentos vai ser muito difícil que nós consigamos uma taxa se juros mais baixa sem medidas complementares", ressalvou o economista. Ele lembrou que os países que têm taxas de juros mais baixas são aqueles que possuem reservas muito elevadas em moeda forte. "É isso o que impede que um país muito endividado e com um serviço da dívida externa muito comprometedor tenha uma taxa de juros baixa. Eles (os países com reservas elevadas) têm liquidez, portanto eles podem fazer políticas monetárias mais frouxas.""Momento inoportuno"O economista Luiz Gonzaga Belluzzo classificou ainda a reforma tributária, em votação na Câmara dos Deputados, como "muito perigosa" e "inoportuna". Belluzzo afirmou que considera uma ousadia muito grande do governo tentar fazer uma reforma tributária neste momento. Como resultado, o economista da Unicamp avalia que o avanço será muito pequeno do ponto de vista da racionalidade do sistema: "É possível até que surjam concessões daqui e dali que vão desfigurar ainda mais o sistema tributário brasileiro", ponderou Belluzzo. "O País está crescendo pouco, gerando uma disputa pelas receitas existentes. Os blocos de interesse procuram se apoderar de uma fração maior da receita, o que não é desejável numa reforma racional."Imposto sobre herançaO líder do PSB na Câmara, Eduardo Campos, lamentou a aprovação do destaque que acaba com a progressividade do imposto sobre a herança e com a alíquota máxima de 15%. "A Câmara nesta votação demonstra um viés conservador nesta matéria. Na verdade nós votamos com um quorum baixo, já a esta altura da noite", justificou o deputado da bancada governista. "Nós temos clareza de que o atual sistema tributário brasileiro é extremamente regressivo: o pobre paga mais imposto do que o rico, porque a grande maioria dos impostos são no consumo", destacou o líder do PSB. "Eu lamento que isso tenha ocorrido, mas outros pontos positivos ficaram na reforma: valeu o sentimento da propriedade contra aqueles que queriam fazer um sistema mais progressivo."

Agencia Estado,

17 de setembro de 2003 | 07h23

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