Para Belluzzo, meta de superávit primário deveria ficar em 2,5%

Segundo economista, governo usará meta fiscal e política monetária para evitar rebaixamento da nota do País este ano

RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h03

O ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Luis Gonzaga Belluzzo afirmou, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que, em função da apreensão dos mercados em relação ao Brasil, "a meta do superávit primário deveria ficar em 2,5% do PIB" este ano. A meta fiscal deve ser anunciada pelo governo na próxima semana.

Na avaliação de Belluzzo, o governo vai atuar com o superávit primário mais forte e com a política monetária para evitar o rebaixamento do Brasil por uma agência de rating este ano. "A presidente Dilma já sinalizou isso na viagem que fez a Davos", disse. Na ocasião, a presidente ressaltou que o Executivo está comprometido em manter declinante a dinâmica da dívida bruta em relação ao PIB.

Para Belluzzo, embora as agências de rating tenham credibilidade muito questionável em nível internacional, o ajuste fiscal mais forte está relacionado ao baixo crescimento do PIB e à elevação dos gastos com juros da dívida mobiliária federal. "Um esforço mais centrado no primário ajuda, inclusive, o fiscal na questão relativa aos custos do financiamento da dívida pública", comentou.

Segundo o economista, a combinação entre ajuste fiscal intenso e política monetária - que já elevou os juros em 3,25 pontos porcentuais desde abril - deverá gerar uma reação positiva nos mercados no médio prazo. Especialmente quando o mercado verificar, mês a mês, que a execução fiscal prometida está sendo cumprida, disse.

Belluzzo acredita que, em dois ou três trimestres, a confiança dos mercados em relação ao Brasil deve melhorar bem. Para que isso ocorra, também seria importante que os investidores internacionais ficassem mais calmos em relação aos desdobramentos da política monetária nos EUA.

Juros. De acordo com Belluzzo, um superávit primário de 2,5% do PIB "permitirá ao BC desacelerar a velocidade de alta dos juros para uma elevação de 0,25 ponto porcentual". No entanto, ele pondera que talvez essa redução de ritmo do aperto monetário ainda não seja possível na reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) que será encerrada no dia 26 de fevereiro. Portanto, essa expectativa recairia sobre a reunião de abril. "O governo não vai permitir que a inflação saia do controle, o que é ótimo", disse.

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