Para Bernanke, desemprego é maior problema dos EUA

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, afirmou hoje que o desemprego é o maior problema dos EUA no momento. Segundo ele, o Fed está tomando medidas agressivas, como zerar as taxas de juros, para fazer com que as condições financeiras deem apoio ao crescimento. Planos para grandes gastos, como aqueles adotados durante a Grande Depressão, são uma ferramenta de política fiscal, e não do Fed, disse Bernanke ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos EUA, no segundo dia de seu depoimento semestral ao Congresso.

ÁLVARO CAMPOS, Agencia Estado

22 de julho de 2010 | 13h34

O presidente do banco central comentou ainda que o crédito para empresas de pequeno porte precisa de mais apoio, especialmente porque elas são a principal fonte de emprego. O desafio é não ficar apenas voltado para empresas já existentes. "Nós estamos com poucas fontes de financiamento para novos negócios e para aqueles em expansão", afirmou.

Ainda de acordo com Bernanke, uma das medidas de estímulo adotadas pelo governo é a criação de cursos para desempregados e auxílio para pequenas empresas. Mas o Congresso precisa assegurar que qualquer programa seja bem planejado, alertou.

Ação do Fed

O presidente do Fed disse ainda que está pronto para agir se a economia não conseguir manter sua recuperação. "Nós estamos prontos e vamos agir se a economia não continuar a melhorar", disse. Classificando a condição atual de fraqueza no mercado de trabalho de "insatisfatória", Bernanke afirmou que o Fed vai considerar mais medidas se as condições não melhorarem como o esperado. "Estamos considerando todas as opções."

Com as taxas de juros de curto prazo já nas mínimas recordes, o presidente do Fed reiterou que, entre as opções não convencionais que podem ser adotadas, estão o aumento da transparência sobre por quanto tempo as taxas de juros vão permanecer baixas, a redução da taxa de juro que o Fed paga sobre os depósitos compulsórios que o bancos mantêm no banco central e a retomada da compra de ativos.

Tais ações podem ser mais eficientes se as condições financeiras piorarem, comentou Bernanke. No entanto, ele disse que espera que a economia dos EUA retome uma recuperação moderada, com as tensões continuando a se suavizar nos mercados de dívidas europeias. Entrando em um dos assuntos mais polêmicos no Congresso, Bernanke disse que se os legisladores decidirem prorrogar as reduções de impostos adotadas pelo governo do ex-presidente George W. Bush, será preciso encontrar maneiras de compensar o impacto da medida no Orçamento.

"Se vocês prorrogarem os cortes de impostos, precisam encontrar outras maneiras de compensá-los", afirmou o presidente do Fed. Bernanke disse que um "grau razoável" de estímulos fiscais deve ser mantido no curto prazo, mas que medidas precisam ser adotadas para garantir que o orçamento ficará sob controle no longo prazo. As informações são da Dow Jones.

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