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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Para BNDES, evitar conflitos é bom para os negócios

A posição do presidente Lula de evitar hostilidades em casos como o da nacionalização de gás e petróleo da Bolívia, é uma postura favorável a negócios, acredita o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), Damien Fiocca. Em apresentação no Bildner Center, em Nova York, avaliou que não ter dado um tratamento hostil foi a melhor política em relação à Bolívia."Nós estamos em melhores condições de negociar gás com a Bolívia do que se o presidente tivesse tido uma política de confronto." Contudo, ao ser questionado sobre investimentos do BNDES (em conjunto com a Petrobras) naquele país, Fiocca argumentou que o BNDES ficaria feliz em ajudar a Petrobras na Bolívia, mas, felizmente, a estatal brasileira pode fazer isto com ou sem nossa ajuda.Fiocca afirmou que as exportações do Brasil para a Venezuela têm aumentado e avalia este resultado como "uma política de não confronto com Chávez. O não confronto é bom também para os negócios", disse.Infra-estruturaO presidente do BNDES também avaliou que a integração de infra-estrutura é benéfica para a região da América Latina, mas assim como na apresentação para investidores, Fiocca voltou a afirmar que os principais obstáculos para a construção da infra-estrutura esbarra em questões ligadas ao limite de gastos públicos e estruturas legais."Eu quero mencionar que, no geral, na construção da infra-estrutura o maior obstáculo não é financeiro. A principal questão não é a falta de recursos", reiterou. A questão, acrescenta ele, é que os governos têm que limitar seus gastos. "O problema é o espaço fiscal para cumprir a meta do superávit primário."O principal executivo do BNDES também afirmou que programas de infra-estrutura estão intimamente ligados a estruturas legais submetidas a processos burocráticos que levam tempo para se resolver.PopulismoFiocca não espera uma posição intervencionista e nem uma posição populista do presidente Lula em eventual segundo mandato.Durante a apresentação, ele avaliou o PT e o presidente Lula como "social democratas": "capitalista mas com política de redução de pobreza".O presidente do BNDES replicou a palestra feita horas antes para investidores e que na terça-feira foi apresentado no Banco Internacional de Desenvolvimento (BID). Fiocca acrescentou que não vê o presidente Lula com postura populista em caso de reeleição.Ele avaliou que a economia brasileira está em boas condições e a balança de pagamento está "muito sólida" por isso há espaço para o gerenciamento das questões sociais, sem contaminar áreas de economia, afirmou.

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