Para Cavallo, armadilha dos depósitos precisa acabar

É necessário que o governo (Duhalde) acabe imediatamente com o "cepo" (armadilha) dos depósitos, caso contrário a economia argentina não vai se reativar, diz o ex-ministro de Economia Domingo Cavallo, em longo artigo publicado hoje pelo jornal La Nación. Cavallo, um dos artífices do "corralito" financeiro (congelamento parcial dos depósitos), que acabou se transformando no eixo dos problemas que o levaram a renunciar no dia 19 de dezembro, afirma que sem a disponibilidade dos depósitos não haverá consumo nem investimentos."Sem a confiança dos correntistas no sistema financeiro, não haverá crédito para ninguém. Portanto, é necessário que o governo acabe imediatamente com o ?cepo dos depósitos", afirma o ex-ministro.No texto, Cavallo relata que, em dezembro do ano passado, ele havia recomendado ao gabinete de ministros e ao presidente Fernando de la Rúa a implementação de restrições temporárias do uso de dinheiro efetivo e de algumas transferências para o exterior. Porém, sem afetar o "uso e o abuso" das poupanças, que podiam continuar sendo feitas por meio de cheques, transferências e débitos diretos ou por meio de cartões de crédito."Até então, continuava em pleno vigor a conversibilidade, com a qual o valor dos depósitos não estava em discussão. A dívida estava em dólares e a devolução também seria feita em dólares, ou bem em pesos conversíveis, os quais também seriam devolvidos em pesos conversíveis", argumenta Cavallo no artigo.De acordo com ele, o compromisso era que as restrições impostas, com os conseqüentes incômodos pelos quais havia pedido desculpas em seu devido momento, durariam apenas 90 dias, prazo necessário para concluir o swap da dívida pública e normalizar as relações financeiras com a comunidade internacional. "Lamentavelmente, os acontecimentos de dezembro, que acabaram na minha renúncia, e, depois, de todo o gabinete, tornaram impossível aquele compromisso assumido com a sociedade", afirma Cavallo.Depois, acrescentou o ex-ministro, o governo Eduardo Duhalde desvalorizou a moeda e impôs um complexo mecanismo de restrições, com confisco parcial dos depósitos, reprogramações (devolução programada) forçadas e restrições ao uso e à transferência entre bancos da poupança do público."Embora continue sendo utilizado a expressão ?corralito?, a situação atual dos depósitos é mais parecida a um cepo (armadilha), que impede desfrutar de duas características que os correntistas valoram em seu depósitos, a moeda em que foram constituídos (basicamente o dólar) e os prazos originais. Eliminar é fácil e produzirá efeitos positivos imediato".Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.