Para chefe do FMI, sistema financeiro está perto de 'derreter'

Dominique Strauss-Kahn criticou propostas do G7 para combater a crise econômica global

Da BBC Brasil, BBC

11 de outubro de 2008 | 19h15

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse neste sábado que o sistema financeiro internacional está "à beira do derretimento sistêmico" e criticou a postura do G7, o grupo das sete maiores economias do mundo, em relação à crise.    Veja também: G7: 'todos os meios' contra a crise Bolsa cai 20% em semana de pânico  Como o mundo reage à crise  Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Kahn criticou um plano apresentado pelos ministros das finanças do G7 após uma reunião em Washington nesta sexta-feira, dizendo que ele não é suficiente para restaurar a confiança dos mercados. "As preocupações cada vez maiores em relação à solvência de várias das maiores instituições financeiras européias e americanas empurraram o mundo para a beira do derretimento sistêmico", disse Kahn. De acordo com o analista econômico da BBC Andrew Walker, as medidas anunciadas pelo G7 deixaram muitos observadores frustrados pelo que eles interpretaram como falta de detalhes nas propostas. Cinco pontos O plano lançado pelo G7 tem cinco pontos. O grupo prometeu ''usar todas as ferramentas possíveis para apoiar sistematicamente importantes instituições financeiras e impedir suas falências'' e ''tomar todos os passos para garantir que bancos e outras instituições financeiras tenham pleno acesso à liquidez e ao financiamento''. O grupo dos países ricos também destacou a necessidade de ''garantir que os bancos de nações diversas possam, quando necessário, levantar capital de fontes públicas, bem como privadas''. O quarto ponto de ação foi o de ''assegurar que as garantias dos depósitos sejam robustas e consistentes". O último ponto foi de se comprometer ''a tomar medidas, quando apropriado, para reativar os mercados secundários de hipotecas, e outros ativos titularizados''. A crise financeira global deve ser novamente abordada durante a reunião dos G20 (grupo formado pelas principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo), que acontece ainda neste sábado em Washington. Bush e europeus Em um discurso realizado na manhã deste sábado em Washington após uma reunião com os ministros das Finanças do G7, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que todos concordam que é necessária uma "resposta global séria" à crise financeira. Na Europa, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, disseram que não haverá um fundo comum de resgate de instituições financeiras na Europa como o pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelos Estados Unidos na semana passada. Os líderes disseram, porém, que os países que adotam o euro como moeda única devem adotar uma postura comum em relação à crise em uma reunião a ser realizada em Paris, neste domingo, pelos 15 líderes dos países do bloco. Para Merkel, os governos precisam "redirecionar os mercados para que eles atendam às pessoas, não para que as leve à ruína". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.