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Para chineses, aumento do IPI é 'protecionismo governamental'

Vice-ministro de Comércio ataca medida e diz que o País corre o risco de sofrer uma 'fuga de investidores'

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h04

Em sua primeira reação pública à elevação do IPI para carros no Brasil, o governo chinês fez um duro ataque contra o protecionismo brasileiro e alertou que é o País que corre o risco de sofrer a fuga de investidores e não "desfrutar dos dividendos do desenvolvimento".

Se as acusações são duras, Pequim - da posição de segunda maior economia do mundo e maior exportador do planeta - deixa claro que o atrito não muda a estratégia de expansão da China no Brasil. O país classifica o problema como "pequeno" e insiste: só quem perde com isso é o Brasil.

A decisão do governo brasileiro de elevar o IPI sobre carros importados afetou diretamente os carros chineses. O Estado consultou uma série de embaixadas estrangeiras no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e confirmou a irritação que as medidas brasileiras causaram.

No melhor estilo da diplomacia mandarim, o vice-ministro de Comércio da China, Jian Chen, deixou claro ontem em Genebra que cabia ao Brasil decidir se gostaria de continuar com a política protecionista ou fazer parte do "crescimento da economia mundial". "Nenhuma economia fechada pode atingir crescimento e não pode obter os dividendos do desenvolvimento, além de correr o risco de ver empresas saindo (do mercado)."

Questionado pelo Estado se a China pediria que o Brasil retirasse a medida, Jian mais uma vez deu uma demonstração da sutileza da diplomacia de Pequim. "Não pediremos nada. O governo (brasileiro) pode achar que é uma medida acertada. Mas em alguns dias a retira. Vamos deixar o governo estudar por mais tempo para adotar uma medida mais certa", declarou.

Ele ainda fez um duro alerta ao que chamou de "protecionismo governamental" do Brasil.

"Não vou fazer um juízo de valor sobre a decisão e é claro que um país pode tomar a decisão de se proteger. Mas outros não vão investir lá. Fazemos oposição a qualquer tipo de protecionismo. Não só para defender os interesses da China, mas por todos."

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