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Para Chipre, ajuda de € 17 bi será insuficiente

País precisará de mais € 6 bilhões para equilibrar as contas públicas

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2013 | 02h04

A crise cipriota é bem mais profunda do que se imaginava. Menos de um mês depois de assinar um protocolo de resgate internacional de € 17 bilhões, o governo do Chipre reconheceu ontem, de forma oficial, que precisará de mais € 6 bilhões para equilibrar as contas públicas e sanear seu sistema financeiro. O valor extra é equivalente a quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que já está obrigado a vender seu ouro para pagar contas.

A admissão dos problemas mais graves do que se imaginava foi feita ontem pelo porta-voz do governo, Christos Stylianides. "É um fato: o memorando de novembro falava em torno de € 17,5 bilhões de financiamentos necessários. Essas cifras são hoje de € 23 bilhões", reconheceu Stylianides.

No protocolo do acordo de socorro, a União Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) concordaram em transferir a Nicósia um total de € 10 bilhões em empréstimos, que se somam a € 7 bilhões em recursos próprios do Chipre, oriundos do corte de investimentos, de privatizações e, principalmente, do confisco de recursos de clientes de bancos do país.

A medida, a mais polêmica do acordo, permitirá ao governo local obter cerca de € 5,8 bilhões pelo confisco de todos os depósitos acima de € 100 mil de clientes dos bancos Laiki e de parte das economias e investimentos dos clientes do Banco do Chipre.

Cálculos do Ministério de Finanças cipriota indicam que os cortes podem chegar a 60% dos investimentos dos clientes. Além disso, o Laiki será extinto e seus clientes serão transferidos para o Banco do Chipre, a ser restruturado.

Entre outras medidas, o governo elevou impostos no valor de € 600 milhões e se comprometeu a vender reservas de ouro em até € 400 milhões.

O anúncio do buraco maior do que o previsto no Chipre foi feito pelo Executivo, na véspera do início da reunião do fórum dos ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), que começa hoje, em Dublin, na Irlanda. O fórum deveria conceder nessa reunião seu aval para a liberação da primeira parcela do empréstimo.

Surpresa. O anúncio feito ontem por Stylianides não chega a surpreender as autoridades europeias. Na quarta-feira, um relatório de técnicos da troica - UE, BCE e FMI - já indicava que a situação cipriota era mais grave do que o imaginado. "Nicósia se comprometeu a tomar medidas suplementares para atingir os objetivos definidos no programa de ajuda", diz o documento. Uma das constatações de Bruxelas e dos peritos do fundo é de que a recessão no Chipre, causada pelo plano de reestruturação das finanças do país, representará uma recessão mais acentuada do que o imaginado.

A perspectiva é de uma queda de 8,7% do Produto Interno Bruto em 2013 e de 3,9% em 2014. Se os dados da Comissão Europeia se confirmarem, a tendência é de que a economia cipriota mergulhe numa depressão mais acentuada que a enfrentada pela Grécia desde 2009.

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