Para Ciesp, desempenho do emprego industrial é fraco

Diretores do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) receberam mal a informação de que o Nível de Emprego Regional da indústria paulista, apurado pela entidade, subiu apenas 0,14% em fevereiro, ante janeiro. De acordo com o diretor de Economia do Ciesp, Boris Tabacof, o momento da indústria é "preocupante", o que levaria inclusive o próprio Ciesp a fazer previsões modestas para o ano. "O ambiente na indústria é de desânimo, e o problema mais sério é que não está havendo investimentos", declarou, em entrevista coletiva.O desânimo no meio industrial teria origem, segundo Tabacof, na projeção divulgada pelo Banco Central de que a taxa básica de juros (Selic, atualmente em 16,5% ao ano) encerraria 2006 em 14,5%, enquanto a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estaria posicionado na faixa de 4,5%, mantendo os juros reais em um patamar de dois dígitos. Ao mesmo tempo, ele lembrou que a estimativa para o câmbio no final do ano é de R$ 2,20 por dólar, valor considerado ruim por ele para garantir remuneração adequada às empresas exportadoras. "A ata do Copom fala em incerteza sobre a inflação, o que gera mais conservadorismo. Qual ânimo pode ter o empresário para investir com uma expectativa dessas?", argumentou.Projeção conservadoraA projeção do Ciesp, considerada pelos dirigentes da entidade como conservadora, é de que o emprego na indústria paulista deve crescer entre 1% e 1,5% este ano, com a geração de cerca de 20 mil postos. Se confirmada a previsão, a expansão do emprego sofrerá um "descolamento" do crescimento econômico do País, cuja projeção do Ciesp é de um Produto Interno Bruto da ordem de 3,5%. Segundo Tabacof, o emprego na indústria não tem acompanhado a expansão produtiva porque o empresariado optou por aumentar o grau de produtividade nas empresas. "Ainda há espaço para, na média das empresas paulistas, crescer a produção em cerca de 20%, sem significar investimentos pesados e aumento de mão-de-obra", justificou.As avaliações de Tabacof foram acompanhadas pelo diretor do Ciesp em Araraquara, Arcangelo Nigro Neto, que acrescentou que as indústrias têm optado por aprofundar o uso de suas instalações, sem realizar mais investimentos. "O problema é que as indústrias poderão perder competitividade por não se modernizarem", observou.

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