Para CNI, produção industrial caiu no primeiro trimestre

A pesquisa sondagem industrial do primeiro trimestre de 2006, divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta uma queda da produção industrial no primeiro trimestre. Houve redução no indicador de produção de 50,8 pontos no quarto trimestre de 2005 para 45,9 pontos no mesmo período deste ano. Valores acima de 50 pontos indicam evolução positiva dos indicadores e valores abaixo deste nível um recuo.Segundo a CNI, a queda do indicador é normal, tendo em vista que o pico da produção industrial ocorre no quarto trimestre do ano. O documento afirma que a queda é puxada pelo desempenho das pequenas e médias empresas. As grandes empresas apresentam um leve aumento da produção, decorrente da manutenção das exportações e do reaquecimento da demanda interna. O documento mostra ainda que houve também uma queda, de 49,8 pontos para 44,8 pontos, do faturamento das empresas no primeiro trimestre na comparação com o último trimestre de 2005. IBGEO resultado anunciado pela CNI contraria os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo essa pesquisa, os dados regionalizados da produção industrial no primeiro trimestre deste ano comprovaram que o setor registra uma melhora em seu quadro. Isso porque, na comparação com o mesmo período do ano passado, os três primeiros meses de 2006 produziram 4,6% a mais, e, na comparação com o período compreendido entre outubro e dezembro de 2005, 1,3%. Por regiões, foram detectadas altas em 13 dos 14 locais pesquisados. Capacidade instalada A tendência também foi de queda para o nível de utilização da capacidade instalada no primeiro trimestre. A redução foi de 75% para 71%, na comparação com os últimos três meses de 2005. Na comparação o período compreendido entre janeiro e março do ano passado, a redução foi menor, de apenas um ponto porcentual. Segundo a CNI, a queda é "usual" no início do ano dado o menos dinamismo da atividade industrial no período. O documento mostra ainda que as empresas não conseguiram manter o processo de ajuste de estoques de produtos finais. As reservas permaneceram superiores ao planejado no primeiro trimestre do ano, sobretudo nas grandes empresas. Sem mudança A expectativa em relação ao desempenho das empresas do setor para os próximos seis meses não apresentou mudança significativa em relação a pesquisa anterior, divulgada em janeiro. Os empresários industriais esperam um crescimento do faturamento (57 pontos) e das compras de matérias primas (54 pontos) em um ritmo um pouco maior do que o esperado em janeiro. A expectativa com relação às exportações teve uma leve queda de 49,6 pontos na pesquisa anterior para 48,1 pontos. A pesquisa mostra ainda que a indústria espera manter estável nos próximos seis meses o número de empregados. Desempenho surpreendeO economista da CNI Paulo Mol disse que surpreendeu o resultado das grandes empresas no primeiro trimestre de 2006, que se manteve estável em relação ao último trimestre do ano passado. Segundo ele, o normal é que haja uma queda no indicador de produção no início do ano dado o forte processo de aquecimento que acontece no final do ano em função das vendas de Natal. "A surpresa são as grandes empresas que não ficaram dentro do quadro esperado, que era de ficar abaixo de 50 pontos". Mol disse esperar que o desempenho das pequenas e médias empresas volte a melhorar nos próximos meses com a retomada da demanda interna. Segundo a CNI, os setores que apresentaram maior crescimento da produção no primeiro trimestre de 2006 foram o de refino de petróleo , o de equipamentos de transporte e de veículos.O chefe da unidade de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, destacou que estes são setores dominados por empresas de grande porte e fortemente exportadoras.Maior queda Os setores com maior queda na produção foram vestuário, química, calçados móveis e álcool. Segundo Castelo Branco, no caso do álcool, a queda na produção é sazonal.Os setores que apresentaram crescimento no faturamento no primeiro trimestre foram os de refino de petróleo, equipamentos hospitalares e de precisão e álcool. "O álcool foi a nossa grande surpresa", disse Paulo Mol.Os setores que tiveram maior queda no faturamento no primeiro trimestre foram madeira, edição e impressão, calçados e móveis.Este texto foi atualizado às 13h28.

Agencia Estado,

09 de maio de 2006 | 11h01

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