Para comércio, indústria e sindicatos, BC beneficia bancos

A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 16%, interrompendo a trajetória de queda nos juros, foi criticada pelo setor produtivo. As Federações do Comércio do Rio de Janeiro e de São Paulo, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgaram notas dizendo que a decisão compromete o crescimento da economia e beneficia o setor financeiro.Para a Fecomércio-RJ, o BC deveria usar a ?banda de flutuação? de 2,5 pontos percentuais meta de inflação "exatamente para acomodar choques como o que estamos vendo nas últimas semanas?. Para a Fecomercio-SP, o BC "retarda ainda mais o reaquecimento do mercado interno e faz com que a recuperação econômica atenha-se aos setores voltados à exportação". A entidade anunciou que está revendo a previsão para o ano de crescimento entre 3% e 4% para no máximo, 3%. Na avaliação da CUT, o Banco Central "beneficia apenas as instituições financeiras" e deixa "o Brasil à deriva". A central se diz desanimada com a "falta de coragem do Copom" e que a "turbulência no mercado internacional verificada nos últimos dias é passageira". Para a Força Sindical, a atitude do Banco Central mostra que o governo trabalha "em prol dos interesses dos únicos que ganham com a crise: os bancos". A central diz em nota que o governo dá provas "cada vez mais contundentes" de não estar preocupado com a geração de empregosO presidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado Armando Monteiro (PTB-PE), disse que a decisão "pode criar expectativas de um quadro não tão favorável". Segundo ele, a manutenção dos juros "é ruim porque no momento a economia brasileira dá sinais de recuperação". A Fiesp afirma que a decisão do BC "reforça a percepção do governo de que o País não pode crescer mais de 3% ao ano". A nota da Fiesp diz ainda que o BC "se recusa a utilizar a flexibilidade que o regime de metas lhe permite". O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, diz que a decisão do Copom pode afastar ainda mais o consumidor do mercado de veículos.

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