Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Para comércio, redução de juros foi 'tímida'

Copom cortou Selic em 1,5 ponto percentual; recuo foi 'insuficiente', critica presidente da Fecomercio

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

11 de março de 2009 | 20h17

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) avaliou que o Comitê de Política Monetária (Copom), por conta do agravamento da crise financeira internacional, deveria ter sido mais ousado na decisão de reduzir a Selic em 1,5 ponto porcentual. "A redução foi insuficiente. O cenário internacional está pior do que o BC tinha por hipótese meses atrás. Outros bancos centrais já reduziram suas taxas para algo próximo de zero. Nós ainda estamos em dois dígitos", criticou o presidente da entidade, Abram Szajman.   Veja também:  A evolução da taxa Selic no governo Lula    Com a decisão desta quarta-feira, 11, o juro básico foi para 11,25% ao ano, o menor patamar da história, ainda que já tenha sido verificado em setembro de 2007. É primeira queda dessa magnitude desde 19 de novembro de 2003, quando a Selic caiu de 19% para 17,5% ao ano.   "Um contexto como este exige das autoridades decisões mais contundentes e efetivas para fomentar o consumo e a produção. O Banco Central, por meio do Copom, mais uma vez mostrou que está no caminho certo, mas errando na dose", apontou Szajman.   Na avaliação da Fecomercio-SP, o cenário negativo da economia alia-se à ausência de expectativa inflacionária, o que permitiria uma redução de 2 pontos porcentuais. Segundo a entidade, um corte maior da Selic sinalizaria ao mercado que o BC tem total compreensão dos fatos econômicos e está respondendo na medida correta.   "A despeito da retração econômica no quarto trimestre de 2008, apontada pelo IBGE, o Brasil tem amplas condições para superar no curto prazo esta crise. Mas o Banco Central precisa entender que a hora é agora. Não podemos deixar o País entrar em recessão. Se isso ocorrer, a autoridade monetária será duramente criticada pela sociedade por ter retardado o processo de redução da Selic", destacou.   Szajman avaliou que o comércio já dá "fortes sinais" de que precisa de impulso. "Uma redução maior da Selic teria sido o remédio desejado por nós, neste momento", acrescentou. Ele chamou atenção para o elevado custo do crédito para os consumidores, o que tem impactado a atividade do setor.   Recuo 'tímido'   Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a decisão do Copom foi "tímida". Na avaliação do presidente da ACSP, Alencar Burti, os indicadores econômicos apontam para a necessidade de medidas mais profundas "para evitar que a economia brasileira entre em recessão."   "Esperávamos que a coragem revelada pelas autoridades monetárias em elevar as taxas de juros quando julgaram necessário e de mantê-las quando consideraram conveniente, a despeito das pressões de importantes segmentos da sociedade, fosse demonstrada agora com uma redução mais ousada da Selic", afirmou, em nota enviada à imprensa.   A decisão dos membros do Comitê foi unânime e não inclui viés - mudança de juro antes da próxima reunião do Copom. De acordo com comunicado divulgado ao final da reunião, o Copom "acompanhará as perspectivas para a inflação até a próxima reunião em abril". A ata desta reunião será divulgada no dia 19 de março. A próxima reunião do Copom será em 28 e 29 de abril.

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