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Para comprar Cetip, Bolsa pedirá R$ 2,5 bi a bancos

Além de usar recursos de venda de participação em Bolsa americana para pagar aquisição de R$ 12 bi, BM&FBovespa também precisará de crédito

Fernanda Guimarães Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2016 | 22h30

A fusão entre BM&FBovespa e a depositária Cetip exigirá nova tomada de dívida de cerca de R$ 2,5 bilhões por parte da Bolsa brasileira - empréstimos estariam próximos de ser contratados com bancos como Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Santander, segundo fontes de mercado informaram ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A compra da Cetip é avaliada em R$ 12 bilhões, sendo que 75% do pagamento será feito em dinheiro (cerca de R$ 9 bilhões). O restante será transformado em ações da nova companhia. 

A operação é, conforme fontes, semelhante a um empréstimo sindicalizado, com a diferença de que, neste caso, cada banco deverá negociar suas próprias condições. Há informações de que instituições estrangeiras possam participar da operação. Pelo menos cinco bancos deverão fazer parte da estrutura de financiamento, segundo apurou o Broadcast. Procurados, os bancos não comentaram a informação. 

A BM&FBovespa já levantou parte do montante necessário para a compra da Cetip com a venda de sua participação integral na bolsa americana CME, concretizada na semana passada, que gerou um caixa em torno de US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões). Irá somar-se a esse montante, ainda, cerca de R$ 1 bilhão de caixa livre que a Cetip possui. Depois da aprovação dos órgãos reguladores, a nova empresa que será formada é avaliada em R$ 40 bilhões.

Repercussão. Um relatório do banco UBS afirmou que o negócio tem valor estratégico para a BM&FBovespa, mas classificou o valor - de R$ 42 por ação da Cetip - como elevado. No entanto, segundo os analistas, o acordo deverá trazer diversificação de receitas e um posicionamento estratégico mais sólido. 

Para a agência de classificação de risco Moody’s, a compra da Cetip é positiva. “Com a compra da Cetip, a BM&FBovespa aumentará ainda mais sua posição como única operadora em mercados de compensação e de câmbio do Brasil num momento de declínio volumes de negociação em meio a uma recessão econômica acentuada”, afirmou a agência.

Sinergias. Nesta segunda-feira, 11, a BM&FBovespa calculou que as sinergias (economias) com a fusão devem ser de R$ 90 milhões a R$ 100 milhões ao fim de um período de três anos de operação. “Esperamos sinergia de pelo menos 10% para as despesas combinadas”, disse Edemir Pinto a jornalistas.

Os cálculos consideram os orçamentos de despesas ao fim de 2015, que é de cerca de R$ 600 milhões para a bolsa e de R$ 330 milhões para a Cetip. Quando a soma é levada em conta, esses desembolsos com custos devem somar entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão. Segundo Gilson Finkelsztain, diretor-presidente da Cetip, as sinergias não são tão significativas e não foram um fator decisivo para o fechamento do negócio.

O presidente do conselho de administração da BM&FBovespa, Pedro Parente, afirmou que a fusão com a Cetip é complexa. “Teremos um plano muito bem feito e implementá-lo sem prejuízo até obtermos as aprovações específicas”, frisou. O trabalho de integração só começa, porém, após a chancela do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Sem estabelecer um prazo, tanto os executivos da Bolsa quanto os da Cetip acreditam que o aval dos reguladores virá antes do prazo regular. O Cade tem 240 dias prorrogáveis por mais 90 dias. / COM REUTERS

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