Para concorrer com as fintechs, bancos investem em parcerias e novos projetos

Com o surgimento de startups financeiras, instituições se movimentam para comprar empresas iniciantes ou criar de plataformas do zero

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2017 | 05h00

SÃO PAULO - Um mercado por décadas dominado por poucos atores, o setor bancário passou a conviver com a proliferação das fintechs – startups que oferecem serviços antes restritos a grandes corporações, como empréstimo, cartão de crédito e investimentos. O País já tem 250 dessas empresas em operação, segundo o FintechLab. São pequenos negócios que têm tirado o sono de gigantes, que estão revendo estratégias para não perder sobretudo clientes mais jovens.

Por esse mesmo caminho segue a fintech Geru, voltada à oferta de crédito pessoal, cuja ferramenta de venda são os juros mais baixos do que os dos bancos tradicionais. Para Sandro Reiss, sócio da empresa, as fintechs podem concorrer com os bancos em custos – reduzindo juros ou taxas – ou por meio do atendimento mais personalizado. Reiss afirma que os bancos têm tentado “correr atrás” quando o assunto é o atendimento. Muitos têm focado cada vez mais nas agências digitais. Para cortar custos, o Banco do Brasil, por exemplo, já comunicou que fechará 402 unidades físicas e abrirá 255 online.

No entanto, quando o assunto é juro, as fintechs têm levado vantagem, na visão do sócio da Geru. “Temos operações mais enxutas, sem agências, sem gastos em marketing. Como não oferecemos vários serviços, a operação toda é menos complexa do que a dos bancos.”

Disputa. Para suavizar a briga com as fintechs, os bancos devem apostar na compra ou em parcerias com negócios financeiros. Na avaliação do professor Eduardo Horta, da Fundação Dom Cabral, os bancos não permitirão que as fintechs simplesmente “roubem” clientes.

Além disso, quem atua no mercado pondera que as fintechs devem concorrer com as grandes instituições somente em setores específicos. “Ninguém quer montar um banco para competir conosco e se submeter às regulações bancárias. As fintechs acabarão se vinculando aos maiores”, diz Marcelo Frontini, diretor de inovação do Bradesco.

Quando a fintech decidir se manter independente, os bancos também podem se ver obrigados a criar produtos semelhantes aos oferecidos pelos novos rivais. É o caso de BB e Bradesco, que se uniram para lançar o Digio, plataforma semelhante ao Nubank. “Ao mesmo tempo em que os bancos estão buscando parcerias, estão se defendendo”, diz Fabio Gonsalez, da consultoria Clay Innovation, responsável pelo Fintechlab.

Além da parceria com o banco público, o Bradesco também tem um projeto próprio para a área digital. Trata-se do Next, um aplicativo que oferecerá todos os serviços bancários e terá a chancela da instituição. O Next está sendo desenvolvido há dois anos dentro do banco e deverá ser lançado em breve. A ideia é atrair o público jovem. Em instituições como o Itaú, o Santander e o próprio Bradesco, os clientes fazem cerca de 80% de suas transações por meio de apps, segundo as próprias instituições.

Reação. Consultados pelo Estado sobre as fintechs, os bancos disseram ter visões positivas sobre o movimento. O Santander vê na expansão das fintechs uma oportunidade para o setor financeiro. Por e-mail, disse que “cabe aos bancos ter a agilidade para implementar e aperfeiçoar as soluções”. Para o Itaú, essa tendência se intensificará e poderá representar oportunidades de sinergia e negócios. A Caixa afirmou que as startups ampliam a concorrência.

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