Para consultor, calote pode afetar o Brasil

Para Welber Barral, sócio da Barral M.Jorge Consultores, as empresas brasileiras serão afetadas caso haja um calote da Argentina. "Pode haver uma elevação do risco de grandes obras de infraestrutura e um déficit de comércio em operações financiadas de multinacionais que captam recursos", diz.

ANNA CAROLINA PAPP, CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2014 | 02h01

Barral aponta o setor automotivo brasileiro como o grande prejudicado caso o comércio entre os dois países fique fragilizado, uma vez que mais de 70% dos carros exportados peças fabricantes brasileiras têm como destino a Argentina. A indústria automotiva é o principal exportadora de produtos industrializados para o país vizinho.

"O financiamento de uma multinacional que exportar do Brasil para a Argentina vai ficar mais caro ou não vai acontecer, pois teremos aumento de alguns pontos porcentuais de taxa de risco, deixando os mercados receosos", diz. "Outro efeito possível é a redução do prazo de financiamento das exportações, pois os bancos podem se recusar a aceitar prazos muito longos, como cinco anos, por exemplo", diz.

Barral também aponta o setor de máquinas e equipamentos como vulnerável a um possível calote. "O quanto esses setores serão afetados ainda não é possível prever. Mas como mercado financeiro é muito rápido, qualquer notícia já gera reações, então na prática você já logo tem uma elevação na taxa de juros", aponta o consultor.

Veículos. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, contudo, não teme um calote nem uma queda significativa nas importações feitas pela Argentina, país que fica com o equivalente a 12% da produção nacional de carros.

Moan lembra que o acordo automotivo fechado há uma semana entre os dois países estabelece o chamado regime flex, que prevê que para cada US$ 1 milhão importado, a Argentina poderá exportar US$ 1,5 milhão para o Brasil. "O país precisará importar para pode exportar, pois o flex vale para os dois lados", afirma o executivo.

Durante as negociações para prorrogar o acordo automotivo, chegou-se a avaliar a criação de uma linha de financiamento específica, de R$ 1 bilhão a R$ 3 bilhões, por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para cobrir o risco cambial das vendas ao país vizinho, mas a medida não foi aprovada.

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