Para consultor, reserva de mercado criou 'amigos do rei'

A exigência de conteúdo local nos projetos de pesquisa e exploração em petróleo facilitou a formação do esquema de corrupção na Petrobrás que agora é objeto de investigação da operação Lava Jato, da Polícia Federal, avaliou o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2015 | 02h02

"Ela criou uma reserva de mercado e elegeu os amigos do rei, que agora estamos vendo na Lava Jato", diz. "Uma das causas dessa bagunça é a política de conteúdo local." Pires assessorou o candidato do PSDB, Aécio Neves, na formulação de seu programa de governo.

Para o consultor, a política de conteúdo local castigou as empresas do setor, particularmente a Petrobrás. "Ela foi obrigada a comprar mais caro e receber mais tarde", disse. "Isso não se sustenta mais." O quadro precisa mudar, diz o consultor, porque a Lava Jato atingiu muitas das fornecedoras da Petrobrás. Além disso, a estatal não tem mais condições de manter antigos compromissos, como a compra de 29 sondas da Sete Brasil, que custam muito mais caro do que similares estrangeiras.

Ele não condena a política de conteúdo local. "É bacana em qualquer lugar do mundo", afirma. Porém, ela não deve ser realizada da forma politizada como foi nos últimos anos. "A base de uma boa política de conteúdo local são as pequenas e médias empresas, e essas quebraram."

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