Para consultoria, maior redução será de teles

Uso do smartphone obriga teles a investir, diz sindicato

Vinícius Neder, Mariana Sallowicz, Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2015 | 03h00

As telecomunicações devem ter a maior queda de investimentos em infraestrutura neste ano, com tombo estimado em 32,4% sobre 2014, para R$ 19,8 bilhões, segundo projeções da consultoria Inter.B. A forte retração será influenciada pela freada em dois dos maiores grupos do setor, Oi e América Móvil - dona da Claro, da Net e da Embratel - e pela elevada base de comparação com 2014.

No ano passado, as operadoras elevaram os gastos para a instalação de infraestrutura de telefonia 4G por causa da Copa do Mundo, exigência do governo, explica Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B. “Em 2015, os investimentos voltarão à normalidade, com queda menor em relação a 2013.”

A Oi já reduziu significativamente os investimentos consolidados no primeiro trimestre deste ano, 19,5% abaixo do mesmo período de 2014. No ano passado, a retração foi de 18% ante 2013, para R$ 5,3 bilhões.

A operadora passa por um movimento de disciplina financeira, após o calote de  897 milhões tomado pela Portugal Telecom, em meio ao processo de fusão das companhias. Passado o imbróglio, a companhia decidiu vender as operações portuguesas para a francesa Altice. “A empresa está em processo de arrumação da casa”, afirma o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude.

Em nota, a tele informou que quanto mais eficiente for o processo de contenção de custos, sua principal diretriz este ano, mais dinheiro terá para investir no negócio.

A mexicana América Móvil investiu R$ 10 bilhões em 2014 - sem contar os gastos com o leilão da faixa de 700 megahertz, do 4G. Neste ano, a previsão é cerca de R$ 8 bilhões. O grupo informou que o aporte menor neste ano ocorre devido ao “planejamento plurianual”.

Na visão de Tude, a queda dos investimentos do setor será entre 10% e 15%, menor do que a projetada pela Inter.B. As empresas, diz, vivem um momento de cautela diante do ambiente macroeconômico, mas ainda não se nota uma mudança radical de planos de investimento, que são plurianuais. 

O presidente do SindiTelebrasil (sindicato das operadoras), Eduardo Levy, afirma que não há como os investimentos registrarem uma forte queda. “Não há como investir pouco em telecomunicações. O tráfego de dados está crescendo com cada vez mais pessoas trocando aparelhos simples por smartphones.”

Notícias relacionadas
    Tudo o que sabemos sobre:
    Infraestruturatelecomunicação

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.