Para contratar executivo, perfil na web impressiona mais que inglês fluente

Pesquisa da Catho mostra os fatores com maior impacto no processo seletivo para uma vaga 

Sílvio Guedes Crespo, de Economia & Negócios,

18 de novembro de 2011 | 11h04

O comportamento do profissional nas redes sociais impressiona mais do que a fluência em um idioma estrangeiro, durante o processo seletivo para uma vaga de executivo, segundo uma pesquisa da Catho Online.

O estudo analisa as etapas no processo de contratação depois da triagem inicial de currículos.

Solicitados a dar uma nota de zero a dez para a influência de diversos fatores na escolha dos profissionais, os selecionadores ouvidos pela Catho deram nota média de 3,1 para o item "perfil nas redes sociais" e 2,5 para "fluência em inglês ou outro idioma". Este quesito, por sinal, ficou em último na lista (veja gráfico abaixo).

 

 

 

 

Não que a língua estrangeira tenha deixado de ser importante, mas hoje ela pouco ajuda a distinguir os candidatos a uma vaga de executivo, uma vez que é uma habilidade comum a eles.

"Cada vez mais, as pessoas já vêm preparadas. Quando ela chega à entrevista, eu já entendo que ela tem inglês", afirma Alessandra Zambroni, consultora da DM Executivos.

Redes sociais

As redes sociais podem ser usadas a favor do candidato ou contra ele. Segundo Zambroni, declarações preconceituosas expõem os valores dos profissionais e podem provocar demissão. Uma "exposição desnecessária" na internet, como uma foto do candidato sem camisa no perfil de uma rede, também prejudica o candidato. Falar mal da empresa ou do chefe na web é outro comportamento de risco.

Mas às vezes os selecionadores têm surpresas positivas na internet. Zambroni conta que ficou sabendo pelo Twitter que um candidato era escritor nas horas vagas. Ele tem um livro de ficção publicado e escreve crônicas em um blog.

"É interessante mostrar que tem conteúdo, que tem opinião", diz Zambroni, desde que o candidato seja cauteloso com o que escreve na internet.

Divisor de águas

A pesquisa corrobora o que muitos especialistas já afirmam sobre o processo seletivo: o desempenho nas entrevistas é o mais importante na escolha do candidato. "É um divisor de águas", afirma Zambroni.

Os demais itens da pesquisa podem variar de uma empresa para outra, segundo a consultora. Para algumas, a formação em faculdade de primeira linha pode ser imprescindível; para outras, nem é necessário que ele tenha terminado o curso superior.

Já a entrevista é relevante em qualquer uma delas. Para ter um bom desempenho nessa etapa, o candidato precisa ter boa comunicação, estar seguro da escolha profissional e saber com clareza por que está buscando uma nova oportunidade.

 

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