Para Copom, há espaço para quedas adicionais da Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acredita que ainda exista espaço para "quedas adicionais" da taxa Selic no futuro. De acordo com a ata da última reunião do Comitê, divulgada pelo BC, essas quedas adicionais poderão ser feitas graças à consolidação das perspectivas favoráveis da inflação. "Com a consolidação progressiva das perspectivas favoráveis observadas recentemente para a inflação no médio prazo, o Copom avalia que deverá continuar havendo espaço para quedas adicionais da taxa Selic no futuro", afirmam os diretores do BC na ata. Na última reunião do Copom, realizada na semana passada, o Comitê decidiu, por unanimidade, reduzir a meta da taxa Selic de 20% ao ano para 19% ao ano. Pela análise feita pelos diretores, as reduções da Selic promovidas pelo Copom nos últimos meses ainda não surtiram todos os seus efeitos sobre a economia brasileira. "Cabe lembrar que os principais impactos sobre a atividade econômica das reduções na taxa de juros básica ocorridas no terceiro trimestre deste ano ainda estão começando a se materializar", argumentam os diretores. Para o Copom, a retomada da atividade econômica, observada desde o terceiro trimestre, deve-se "sobretudo" à melhoria das condições de risco da economia brasileira e aos efeitos da política monetária sobre a estrutura a termo dos juros de mercado e trimestres anteriores. "Por esse motivo, o Copom seguirá acompanhando atentamente o processo de recuperação da atividade econômica, para que ele continue a ocorrer de forma balanceada, sem a geração de pressões inflacionárias", afirmam os diretores do BC. Para o Copom, esse monitoramento é importante dado a variação ocorrida nas taxas de juros reais ao longo dos últimos meses.InflaçãoA expectativa de uma taxa de inflação em 2004 abaixo da meta de 5,5% foi um dos fatores que permitiram ao Copom reduzir para 19% ao ano a meta da taxa Selic na semana passada. As projeções de inflação para os próximos 12 meses também justificaram a decisão do Comitê. "Tendo em vista que as projeções de inflação para os próximos 12 meses e para 2004 permanecem abaixo da meta, que as expectativas de inflação continuam convergindo para a trajetória das metas e que o cenário externo favorável vem contribuindo para a estabilidade de preços, o Copom decidiu reduzir a meta para a taxa Selic para 19% ao ano, dando continuidade ao processo de flexibilização da política monetária", explicam os diretores na ata divulgada hoje pelo BC.Apesar das projeções para a inflação daqui para frente estarem abaixo da meta do governo, os diretores do BC revelam na ata que a inflação em 2003 ainda tende a ficar acima da meta ajustada de 8,5%. "As projeções de inflação do Banco Central, supondo manutenção da taxa Selic em 20% ao ano e da taxa de câmbio em R$ 2,85, continuam apontando para uma inflação acima da meta ajustada de 8,5% em 2003. As projeções para inflação em 12 meses e para 2004, apesar de ainda estarem abaixo da meta, ficaram um pouco acima do projetado pelo BC no mês passado, admitem os diretores. "Em comparação com setembro, as projeções se elevaram levemente, principalmente pelo impacto do maior reajuste de preços administrados previsto para o próximo ano", explicam os diretores na ata.RepiqueO Copom mantém a sua avaliação de que a alta da inflação em setembro foi um repique temporário, associado a problemas de entressafra, ao aumento do preço internacional de algumas commodities, como a soja, e a reajuste de preços administrados. A subida dos chamados núcleos de inflação foram lembrados pelo Copom. A inflação de 0,78% apurada pelo IPCA em setembro foi observada em todos os componentes do IPCA e mesmo a inflação medida pelos núcleos registrou uma alta no mês passado. "A inflação medida pelos núcleos também subiu, com exceção do núcleo calculado pelo método de exclusão de preços administrados e alimentos no domicílio", ponderam os diretores do BC. A grande alta verificada foi na inflação medida pelo conceito de núcleo de médias aparadas, que subiu de 0,58% para 0,86%, no cálculo com suavização, e de 0,35% para 0,60%, no cálculo sem suavização. Na avaliação dos diretores do BC, tendo em vista que os efeitos da entressafra agrícola ainda não se esgotaram, poderá haver uma pressão sobre a inflação no curto prazo. "Entretanto, o Copom continuará atuando de forma que os ganhos obtidos no combate à inflação até o momento sejam permanentes e, para tanto, acompanhará nos próximos meses a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo, discriminado entre reajustes pontuais e reajustes persistentes ou generalizados de preços", explicam dos diretores do BC.

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