Darren Whiteside/Reuters
Darren Whiteside/Reuters

Para cortar gastos, banco mais caro do mundo limita até acesso à água para funcionários

Para ser o banco privado mais rentável da Indonésia, Banco Central da Ásia limita água potável, acesso à Internet e cobra pelo uso das salas de reunião

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2019 | 07h30

No fim do expediente, o novo vice-presidente do Banco Central da Ásia  notou algumas garrafas de água largadas pela metade em cima das mesas dos funcionários. Foi o suficiente para que o executivo da maior instituição financeira privada da Indonésia restringisse, já no dia seguinte, a cota de água potável que cada colaborador teria acesso no banco, dali em diante.

Em entrevista à Bloomberg, Bharat Joshi, diretor de investimentos da Aberdeen Standard Investment Indonesia, detentor de mais de 170 milhões de ações do banco asiático, disse que "o valor de mercado do BCA é garantido pelo banco ter uma postura defensiva, especialmente em tempos de volatilidade".  

E por "postura defensiva" destacam-se medidas de austeridade extrema, exatamente como o acesso limitado à água potável, ou uso restrito da internet - há também um pacote de dados de internet por funcionário, inclui também altos executivos. Os bancários também precisam pagar pelo uso das salas de reunião.

Desde que o capital da BCA foi aberto em 2000, estratégias como essa têm sido traçadas para agradar os investidores. A companhia cortou custos e aumentou a eficiência, o que a transformou no banco mais caro do mundo, avaliado em mais de US$ 50 bilhões, o que não impediu que outros investidores se interessassem em apostar no banco.

De acordo com um levantamento da Bloomberg, o BCA tem o menor custo de operação entre os maiores bancos bancos privados da Indonésia. Nas últimas duas décadas, o lucro aumentou 10% todos os anos, com exceção de dois - um deles, durante a crise de 2008.

A Indonésia, que tem mais de 260 milhões de habitantes, possui a maior economia do sudeste asiático. Segundo Taye Shim, diretor de mercado da Mirae Asset Serukitas Indónesia, "os indonésios estão enriquecendo em um ritmo muito acelerado, estão ficando mais espertos e guardam mais dinheiro". Ele diz ainda que o perfil do país é de uma população que tem acesso precário aos serviços bancários, e que "o BCA é o tipo de banco que é preferido pelos indonésios mais espertos e mais ricos". 

 

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