Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Para crescer no digital, Magalu aposta em moda, beleza e delivery de comida

Magazine Luiza quer avançar em categorias que, embora não sejam capazes de aumentar muito o lucro da companhia, trazem recorrência de compra e ajudam a varejista a atrair mais vendedores para o seu marketplace

Daniele Madureira , Especial para o Estadão

10 de março de 2021 | 05h00
Atualizado 10 de março de 2021 | 17h27

Frederico Trajano, principal executivo do Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo no País, acredita que o Brasil vive um vácuo de poder e que não há boas perspectivas para a economia e a política nos próximos meses. A pandemia de covid-19 avança rápido, enquanto a vacinação segue lenta. Mas, se a tempestade não dá trégua, a solução é fincar pilares ainda mais sólidos dentro de casa.

“É hora de colocar um farol alto na economia, enxergar as possibilidades de crescimento que estão bem à nossa frente, e não de nos focarmos no que está dando errado”, diz o executivo, que no momento tem cerca de 800 das suas 1.301 lojas no País fechadas por conta das restrições de mobilidade impostas pela crise sanitária.

O farol alto de Frederico Trajano aponta para cinco novas direções que vão ditar a trajetória de crescimento do Magazine Luiza nos próximos anos. Todas elas no ambiente digital. “A pandemia acelerou o processo de digitalização no Brasil, mas ele está só no início”, diz Trajano, ressaltando que dois terços das vendas totais de R$ 44 bilhões do Magazine Luiza, no ano passado, foram online.

Para o Magalu, as estradas de crescimento digital estão no varejo alimentar, no delivery de comida, no segmento de moda e beleza, na oferta de serviços financeiros e de anúncios. Segundo o executivo, varejo alimentar não vai proporcionar grandes lucros ao Magazine Luiza, mas, ao lado de moda e beleza e delivery de comida, compõe uma gama de negócios de tíquete pequeno, capaz de impulsionar as vendas e atrair novos vendedores para o seu marketplace.

‘Piscou, chegou’

Depois de investir nos últimos anos na aquisição de três empresas de logística – Logbee, GFL Logística e SincLog –, o Magazine quer crescer organicamente no quesito entregas. “Vamos acelerar os investimentos para converter as lojas em pontos de apoio logístico para os ‘sellers’ e aumentar o número de CDs (centros de distribuição).” No site da varejista, 45% das entregas são feitas em até 24 horas. Há um ano, este porcentual estava em 5%. 

“Quando eu abro uma loja, aumento a minha capacidade logística”, diz Trajano. No ano passado, foram inaugurados 189 pontos de venda. “2021 será o ano da logística do ‘piscou, chegou’” reforça.

Garantir a entrega rápida é fundamental para atrair os novos varejistas. A meta do Magalu é perseguir a recorrência de compras exibida pelo gigante das compras online Alibaba: 80 compras por cliente ao ano.

“No Magalu, temos grupos de clientes que fazem 25 compras ao ano”, diz Trajano. “É preciso incrementar este número”, diz ele, lembrando que a tendência mundial do e-commerce é crescer no mercado de tíquete-médio menor. “O varejo alimentar, moda & beleza e delivery de comida vão trazer recorrência de compra”, diz Trajano.

Pizza

Durante a apresentação, Trajano mostrou dados sobre o mercado. O varejo brasileiro, por exemplo, movimenta R$ 1,2 trilhão ao ano – fatia da qual o Magalu detém 3,5%, com vendas de R$ 44 bilhões. Mas o potencial do mercado online no País é de R$ 331 bilhões, segundo dados do IPCMaps 2020, relatados pela varejista.

Em varejo alimentar, o mercado no País é de R$ 535 bilhões, com potencial para R$ 64 bilhões para o online. Até o momento, o Magazine fatura R$ 1 bilhão nesta categoria. “No mundo inteiro, a participação do online nesta categoria é muito baixa, principalmente pelo desafio logístico”, diz Trajano. 

Em moda & beleza, onde a varejista já atua com as marcas Netshoes, Zattini e Época Cosméticos, o mercado brasileiro soma R$ 223 bilhões. O potencial das vendas online é de R$ 67 bilhões, enquanto a fatia do Magalu está em R$ 5 bilhões.

Mas é no segmento de delivery de comida, que tem o iFood como maior player nacional, que o apetite do Magazine Luiza é maior. “Podemos ser player relevante em delivery de comida com AiQFome”, diz Trajano. O mercado de alimentação fora do lar no Brasil é de R$ 196 bilhões, sendo que o de delivery online é R$ 24 bilhões.

“Hoje, com o AiQFome, faturamos R$ 1 bilhão”, afirma. São cerca de 20 mil restaurantes cadastrados, em 450 cidades, a maioria de médio e pequeno porte. A frequência média de pedidos do AiQFome é de três ao mês. "Nosso alvo são 1,6 milhão de restaurantes, há muito trabalho a fazer".

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