Gabriela Biló/Estadão
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Para cumprir promessa a Guedes, Bolsonaro terá que vetar reajuste para todas categorias

Dispositivo aprovado pelo Congresso diminui economia do projeto de socorro aos Estados e municípios para R$ 43 billhões; caso alterado, alívio sobe para R$ 130 bilhões

Adriana Fernandes e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 21h51

BRASÍLIA - Para garantir a promessa ao ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro terá que vetar toda a lista das categorias que ficaram de fora do congelamento de salários no projeto de auxílio aos Estados e municípios. 

Isso porque todas as flexibilizações, que deixaram de fora do reajuste salarial diversas categorias, estão num único parágrafo do artigo 8° do projeto. Ou veta o parágrafo todo ou não veta nada, explicou um integrante da equipe econômica.

Como mostrou o Estado, o projeto foi aprovado no Senado com o aval do próprio presidente para beneficiar o funcionalismo, principalmente da área de segurança, atropelando a orientação do ministro Guedes de garantir essa contrapartida ao socorro de R$ 125 bilhões aos Estados e municípios.

O ministro ficou irritado com a orientação do líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), na orientação do voto e reclamou com o presidente. O presidente conversou com Guedes sobre a possibilidade de veto antes da entrevista em que anunciou a intenção de seguir a orientação da equipe econômica para manter o congelamento até 2021. O congelamento integral garante economia de R$ 130 bilhões para União, Estados e municípios. Da forma como foi aprovado no Congresso, o texto dá alívio de apenas R$ 43 bilhões.

No Palácio do Planalto, a percepção foi de que Guedes surpreendeu o presidente na hora da entrevista após a ida ao Supremo Tribunal Federal (STF), com a participação de empresários. Na entrevista, Guedes defendeu o veto. 

Os jornalistas, então, perguntaram ao presidente o que ele faria. Bolsonaro acabou acompanhando a posição de Guedes, que estava ao seu lado. Bolsonaro responsabilizou o Congresso por deixar várias categorias de fora do congelamento.

A estratégia da área econômica será buscar o apoio popular para garantir que o Congresso não derrube o veto presidencial. O discurso será de que esse é sacrifício menor comparado ao dos trabalhadores da iniciativa privada que estão perdendo o emprego e tendo corte de salários com a crise. De acordo com os dados oficiais, 5,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada já tiveram o salário reduzido ou o contrato suspenso. Outros 50 milhões de informais e desempregados já solicitaram o auxílio emergencial de R$ 600.

Foram poupados do congelamento servidores da área de saúde (como médicos e enfermeiros), policiais militares, bombeiros, guardas municipais, policiais federais, policiais rodoviários federais, trabalhadores de limpeza urbana, de assistência social, agentes socioeducativos, técnicos e peritos criminais, professores da rede pública federal, estadual e municipal, além de integrantes das Forças Armadas.

Como mostrou o Estado, da forma como foi aprovado no Congresso, o texto libera o reajuste para 7 de cada 10 servidores públicos de Estados e municípios. Já entre os funcionários públicos federais, as carreiras blindadas representam 60% do total da folha.

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