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Para defesa, pena é exagerada e ilegal

Advogada ainda não teve tempo de ler a sentença, que tem 478 páginas

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

A pena de 94 anos e seis meses de prisão foi considerada pela defesa tão exagerada que a advogada da empresária, Joyce Roysen, acredita que será fácil questioná-la. "É totalmente defensável porque a aplicação da pena foi tão desproporcional que até para contrariá-la não vai haver grandes dificuldades."Como passou a tarde elaborando os pedidos para tirar Eliana Tranchesi da prisão, a advogada disse ontem que ainda não havia tido tempo de ler toda a sentença, um calhamaço de 478 páginas. "Vou questioná-la assim que conseguir tirar Eliana da prisão."Para o criminalista Luiz Fernando Pacheco, que já foi advogado de Law Kin Chong - apontado como o maior contrabandista do País -, a pena é totalmente fora de qualquer padrão de razoabilidade. "Temos visto penas bastante altas para crimes financeiros na Justiça de primeiro grau. Isso, em geral, tem caído nos tribunais", afirma. "É uma corrente xiita que acha que vai consertar o mundo a partir da vara criminal. O problema é que isso acaba criando na sociedade um descrédito na Justiça e uma sensação de impunidade, porque a pena, lá na frente, cai de 94 para 6 anos."Ontem à tarde, a defesa entrou com pedido de habeas-corpus no Tribunal Regional Federal para que ela possa recorrer da sentença em liberdade. "A prisão é ilegal, desnecessária e pirotécnica", afirma Joyce. "Não há mais obrigatoriedade de se recolher em prisão para apelar. Isso hoje já é ponto pacífico." No pedido, ela argumentou que Eliana sempre respeitou as normas, comunicando todas as suas viagens à Justiça. Esse não é o único argumento para tirar Eliana do Carandiru. Em outro pedido, feito ontem à juíza Maria Izabel do Prado, da 2ª Vara da Justiça Federal de Guarulhos, a advogada pediu a revogação da prisão ou a prisão domiciliar, alegando estado grave de saúde da sua cliente. "Além de ilegal, a prisão é cruel. Eliana está no início de um tratamento sério de saúde", afirma a advogada. "Estou otimista com esse pedido."

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