PARA DEFINIR PREÇO, ROSALES OLHA OS GASTOS

Prestador de serviços de encanador, eletricista e pedreiro elevou diária em quase 40% em 12 meses

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h09

Ricardo da Penha Rosales e a sua mulher, Kátia Peres Rosales, são prestadores natos de serviços. Faz 20 anos que ele trabalha com uma equipe que presta serviços de encanador, eletricista e pedreiro em domicílio nos bairros de Vila Mariana e Paraíso, na capital paulista. Ela, costureira, divide o espaço da oficina do marido dedicando-se ao conserto de roupas.

São exatamente os preços dos serviços prestados pelo casal - de pedreiro, encanador, eletricista e costureira - que estão entre os que mais subiram desde julho de 2011 até fevereiro, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

"Desde o dia 23 de dezembro deu uma esfriada no movimento. O pessoal gastou demais", afirma Rosales. Isso não significa que ele vá reduzir o preço da diária, mas, muito provavelmente, deve pensar duas vezes antes de aumentar. Desde a metade do ano passado até hoje, o valor da diária de R$ 250 cobrada por Rosales para serviços de pedreiro, eletricista e encanador subiu 16%, e quase 40% nos últimos 12 meses.

"Isso não é muito. Só o aluguel subiu 11%", diz. Para calcular o valor da diária cobrada dos clientes, Rosales tem uma fórmula própria. Ele soma todas as despesas que tem para manter a sua casa, como água, aluguel, luz, telefone e supermercado, por exemplo, com os gastos que tem na sua pequena empresa - isto é, o salário dos funcionários, impostos e aluguel da oficinal, entre outros. O total ele divide por 30 e, com isso, chega ao valor cobrado por dia pelos serviços prestados.

Um pedreiro, por exemplo, não trabalha por menos de R$ 85 por dia, incluindo os gastos com transporte e alimentação, diz ele. Um ano atrás, ele pagava R$ 70. Em 12 meses, a alta é de cerca de 20%.

Além de se basear nas despesas da família e da oficina para calcular o valor da diária, Rosales fica de olho em outros indicadores. "Acompanho o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) porque esse índice é usado para reajustar o valor dos aluguéis."

Shopping. Outra fonte de informação usada por ele para balizar os preços cobrados dos serviços é o movimento dos shoppings. "A minha mulher gosta muito de ir ao shopping e eu vou junto. Quando vejo as lojas lotadas e o pessoal saindo com sacolas, sei que o consumo está forte e o povo está gastando." Na prática, essa percepção funciona como um sinal verde para aumentar preço.

Outro termômetro usado para balizar custos e preços é o movimento da oficina de costura da sua mulher. Segundo ele, como ela presta serviços de ajuste de roupas para uma marca famosa e cara, quando o volume de peças para ajuste aumenta é sinal que tem mais dinheiro circulando na economia, o que sanciona a alta de preços. Apesar de se municiar de várias informações para formar os preços dos serviços, Rosales diz que o que vale mais é a amizade e a fidelidade do cliente.

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