Para Deutshe, reação do mercado à eleição é exagerada

Avaliação do departamento de pesquisa do Deutsche Bank (DB) afirmou que as análises de que a atual reação dos investidores à sucessão presidencial no Brasil estão sendo exageradas ?são provavelmente verdadeiras?, mas frisou que a ?euforia do mercado? em relação ao País em março passado também foi excessiva. Segundo o banco, as duas principais vulnerabilidades da economia brasileira ? ?a alta dependência do financiamento externo e uma grande e fragilmente estruturada dívida doméstica?- não mudaram substancialmente nos últimos meses.Segundo a análise são necessárias ?declarações convicentes do candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em relação às suas propostas políticas, principalmente aquelas referentes ao superávit primário e à independência do BC?. O banco salienta que seria benéfico ?um efeito positivo da intensa exposição do candidato do PSDB, senador José Serra, na televisão em agosto.??Alguém poderia até argumentar que a última melhora no risco do País foi o aumento dramático na qualidade das políticas monetária e fiscal, em 1999 e 2000?, disse o DB, num relatório divulgado hoje. O DB voltou a manifestar dúvidas sobre a solvência do País. Segundo o banco, a ?performance necessária para garantir um patamar estável da relação dívida e o PIB no futuro parece muito desafiante com base na conjuntura atual, mesmo se considerando a vitória de Serra nas eleições?. Segundo o banco alemão, se o PIB registrasse um crescimento 2,5% e as taxas de juros reais fossem de 10%, o superávit primário ainda teria que atingir 4% do PIB ?para que a dinâmica da dívida fosse sustentável?. O banco disse que o setor externo está vulnerável porque a depreciação do Real está sendo acompanhada pela ?típica turbulência de mercado e a deterioração das condições de crédito?, que limitou um aumento sustentável das exportações. Com isso, o ajuste da balança comercial acontece através do declínio das importações em vez do crescimento das vendas externas. Diante desse quadro, o departamento de pesquisa do DB disse que é necessário ?ter esperança? de que ocorram ?passos concretos rumo a uma renovação do atual acordo com o FMI, que irá expirar em dezembro próximo, e/ou o anúncio de financiamentos adicionais com o apoio do fundo?.

Agencia Estado,

12 de julho de 2002 | 16h35

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