Para Dilma, Europa vive 'crise da gerência da crise'

Em encontro com premiê britânico, presidente critica falta de liderança política na região

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL/LONDRES , O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h06

A presidente Dilma Rousseff criticou a falta de liderança política na Europa para permitir que o continente supere sua crise econômica e admite que a turbulência já tem seu impacto no Brasil. Esse foi o recado que deu ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que ontem a recebeu em sua residência oficial e tratou, entre vários temas, da crise econômica europeia.

Dilma não disfarçou sua preocupação sobre a crise europeia, classificando-a como uma crise bancária e de dívida soberana. Para ela, a solução passa por ações concretas de BCs e uma coordenação entre os governos europeus para promover crescimento. A avaliação é de que a Europa, acima de tudo, vive uma "crise da gerência da crise", com governos sem uma direção comum e em confronto direto sobre os próximos passos.

Dilma também alertou Cameron que a crise já desembarcou na economia brasileira e que o governo está sendo obrigado a tomar medidas para a incrementar a produtividade da indústria e desonerar alguns setores para impedir um freio maior.

Do lado britânico, a esperança de aproximação ao Brasil não ocorre por acaso. Londres aposta no mercado brasileiro para tentar sair de sua recessão. A meta do governo de David Cameron é dobrar as vendas ao mercado brasileiro até 2015 e atrair empresas nacionais para que invistam no Reino Unido.

Os ingleses admitem que o mercado europeu desabou e impactou suas exportações. A alternativa é buscar parceiros fora da zona do euro e principalmente nos mercados emergentes.

Hoje, o Reino Unido é apenas o 12.º maior parceiro comercial do Brasil e Londres anunciará que colocou como meta a de dobrar suas exportações até 2015 ao mercado brasileiro, chegando a 4 bilhões de libras esterlinas. As prioridades identificadas pelo governo estão no setor de petróleo, engenharia avançada, tecnologia agrícola, serviços financeiros e equipamentos para a organização dos Jogos de 2016 no Rio e para a Copa do Mundo.

Para completar, os investimentos deixaram de ser feitos. Em 2007, a economia britânica recebia um fluxo de capital de US$ 196 bilhões. Em 2010, esse volume caiu para apenas US$ 50 bilhões e ficou em US$ 53 bilhões no ano passado, quando, o Brasil chegou a receber mais investimentos que o Reino Unido.

Segunda recessão. A economia britânica encolheu bem mais que o esperado no segundo trimestre de 2012.O ministro das Finanças, George Osborne, disse que o país tinha "problemas econômicos enraizados".

O Departamento de Estatísticas Nacionais informou que o PIB da Grã-Bretanha caiu 0,7% no segundo trimestre segundo dados preliminares, a queda mais acentuada desde o começo de 2009 e um recuo maior que todas as previsões dos economistas consultados pela Reuters na pesquisa realizada semana passada. Os números mostram que a Grã-Bretanha está presa em sua segunda recessão desde a crise financeira, com a economia encolhendo pelo terceiro trimestre consecutivo./COM REUTERS

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