Para DKW, Venezuela promoverá "flutuação suja"

Apesar do Banco Central da Venezuela ter declarado que não pretende usar as reservas internacionais do país para segurar a cotação do bolívar, o banco de investimentos Dresdner Kleinworth Wasserstein (DKW) acredita que as autoridades monetárias vão promover "uma flutuação cambial suja", com intervenções esporádicas no mercado. Segundo fontes do mercado venezuelano, o BC vendeu cerca de US$ 60 milhões no mercado de câmbio externo ontem quando o bolívar se desvalorizou cerca de 19%. O BC, no entanto, se negou a comentar o assunto.Segundo o DKW, a desvalorização do bolívar - cuja livre flutuação foi anunciada ontem - deve continuar no curto prazo. "Como a independência do BC foi muito prejudicada ao longo dos últimos anos, a tarefa de lançar regimes de metas inflacionária ou monetária que atraiam a confiança do mercado é difícil." Além disso, a desvalorização foi mal recebida pela população. Com a queda da confiança nas autoridades, muitos venezuelanos vão continuar procurando dólares. "Diante desse problema, as autoridades têm de agir rapidamente para evitar um círculo vicioso", disse o DKW.Já a consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) alertou que, apesar da livre flutuação do bolívar ter sido aplaudida pelo pelos banqueiros e economistas estrangeiros, que há muito tempo vinham alertando que o câmbio estava supervalorizado e o orçamento otimista demais, o presidente Hugo Chavez ainda poderá enfrentar sérios problemas.A economia venezuelana deverá ter uma performance abaixo de seu potencial neste ano devido às limitações na produção de petróleo impostas pela Opep e pela falta de reformas no setor público. "O descontentamento social por causa da alta taxa de desemprego, a criminalidade e a postura autoritária de Chavez vão engrossar a crescente oposição política ao governo e enervar ainda mais os investidores", disse a EIU. "Os próximos meses serão difíceis e o risco de instabilidade política e volatilidade econômica deve crescer."

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