Para driblar imposto, brasileiro usa dinheiro em vez de cartão

Pagamentos com plástico nas viagens internacionais caiu seis pontos porcentuais, segundo dados do BC

Renata Veríssimo e Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

O aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para 6,38% nas compras com cartão de crédito no exterior fez com que os brasileiros buscassem outro meio de pagamento nas viagens internacionais.

Os dados do Banco Central (BC) mostram que em maio, primeiro mês com a medida em vigor, a participação do cartão de crédito nas despesas total no exterior caiu, embora a conta de viagens continue elevada.

As despesas dos brasileiros com viagens ao exterior no mês passado totalizaram US$ 1,67 bilhão, a maior cifra para meses de maio. Deste valor, os pagamentos com cartão de crédito foram de US$ 909 milhões e corresponderam a 54,7% do total. Em abril, equivaliam a 60,7% das despesas totais, que somaram US$ 1,94 bilhões.

"As viagens internacionais seguem batendo recordes. É algo que reflete o maior poder aquisitivo do brasileiro e tem se repetido", afirmou o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel. No acumulado de janeiro a maio de 2011, os gastos somaram US$ 8,33 bilhões e também são recordes para o período. "O brasileiro continua viajando, mas pagando mais em "cash" do que em cartão de crédito", disse Maciel.

Os pagamentos com cartão de crédito aumentaram 33,9% no mês passado, em relação ao mesmo mês de um ano antes. Em abril, haviam crescido 53,8% na comparação com abril de 2010.

Comparação anual. As despesas totais com viagens internacionais subiram 43,9% em maio ante o mesmo período do ano passado. Em abril, o crescimento foi de 58,1%. "O recuo em base anual é bem mais expressivo no cartão de crédito", afirmou Maciel. Ele antecipou que as despesas com viagens, em junho, até ontem, já somam US$ 1,42 bilhão.

O Banco Central elevou a projeção de gastos líquidos com viagens internacionais para 2011 de US$ 12 bilhões para US$ 15 bilhões. De janeiro a maio, somaram US$ 5,45 bilhões, resultado de despesas no valor de US$ 8,33 bilhões e receitas de US$ 2,88 bilhões.

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