Andressa Anholete/AFP
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coluna

Luana Ozemela: Melhorar o acesso ao capital entre empresários negros é um imperativo econômico

Para Dyogo Oliveira, insegurança jurídica trava mais investimentos que a macroeconomia

Presidente do BNDES também afirmou que Brasil precisa desenvolver seu mercado de ações, levando mais empresas à Bolsa de Valores

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 14h01

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, disse nesta quarta-feira, 12, que a insegurança jurídica é atualmente um dos principais temas para o desenvolvimento dos investimentos no País. Segundo ele, essa insegurança supera qualquer problema de falta de recursos ou macroeconômico e coloca muitos gestores públicos na posição de preferir ver um projeto "micar" do que assumir o risco de tomar uma decisão.

Para Dyogo, o receio dos gestores públicos de tomar decisões vem "de um estado de controle excessivamente ampliado". "Isso tudo precisa voltar a um nível de equilíbrio. É preciso que haja muito diálogo com os órgãos de controle, mas que não gere paralisia do gestor público", disse, após participar do seminário Diálogos para o Amanhã, realizado pelo banco em parceria com o Cebri.

O presidente do BNDES afirmou que a insegurança compromete a sustentabilidade de projetos e gera problemas para o BNDES, que atua como financiador. "Colhemos os resultados dessa demora porque muitos projetos acabam se inviabilizando e entrando em processo de recuperação judicial pela falta de decisões", disse, citando o caso de empresas que pedem reequilíbrio econômico, mas demoram a obter resposta dos reguladores.

"É preciso aumentar a velocidade de decisão. Em muitos casos, não é questão de definir nem A nem B. É questão de definir para o gestor saber o que pode fazer", completou.

Brasil precisa desenvolver mercado de ações

Oliveira também afirmou que o Brasil precisa desenvolver o mercado de ações, levando mais empresas para a Bolsa de Valores. Segundo ele, há oferta de recursos no mercado e os bancos de desenvolvimento, inclusive os multilaterais, perderam a prerrogativa de ser a única fonte de recurso de juro barato em um mercado de juro caro.

"Precisamos desenvolver não só o mercado de dívida, mas também o de equity", disse, frisando que haverá mais espaço para o mercado de capitais e que o número de empresas listadas hoje ainda é limitado.

Para Oliveira, nesse cenários, o BNDES irá atuar na estruturação de projetos de infraestrutura. Ele destacou ainda o apoio a empresas escaláveis, ou seja, que têm bom potencial de crescimento e o papel no suporte a inovações.

"Esse cenário muda o papel dos bancos de investimento. Como o diferencial de juros é muito pequeno, o papel passa a ser o de articular as partes, de atuar mais firmemente na estruturação de projetos de infraestrutura", disse, citando um setor que sempre buscou no banco os recursos para seus projetos.

Exportações de bens e serviços

Dyogo Oliveira também defendeu a manutenção de um programa de apoio às exportações de bens e serviços. Apesar das fortes críticas que o banco recebeu nos últimos anos na área, como em relação ao empréstimos a construtoras com projetos no exterior, Oliveira acredita que o crédito a exportações continuará sendo importante. "Nenhum País que almeja ser grande pode prescindir de um programa de apoio a exportações", disse.

Oliveira também falou da reestruturação realizada no banco nos últimos anos. Ele destacou a transferência de pessoas de áreas meio para áreas fim do banco. Frisou também as iniciativas em prol da maior transparência na instituição.

Segundo ele, nos próximos anos o BNDES e o governo, de forma geral, terão que aprender a conviver com uma forte cobrança nas redes sociais. "Hoje qualquer ação que tomamos repercute imediatamente nas redes sociais. Nunca convivemos com isso", declarou.

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