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Para economista, BC mostra que está de mãos atadas

Segundo José Júlio Senna, expectativa para IPCA de 2016 já supera a meta, mas atuação do banco está restrita

Ricardo Leopoldo e André Ítalo Rocha , O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2015 | 02h05

A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 14,25% e a falta de sinalização no comunicado divulgado após a reunião mostram que a autoridade monetária está de mãos atadas no que se refere à tentativa de conter o avanço da inflação e, ao mesmo tempo, à espera da política fiscal para voltar a agir, segundo José Júlio Senna, chefe de estudos monetários do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"As expectativas para a inflação de 2016 já estão acima da margem de tolerância, sendo realimentadas pelo desequilíbrio fiscal e pela percepção dos agentes econômicos. Além disso, há os efeitos da depreciação do câmbio e as revisões para cima do que se espera para os preços administrados no restante do ano e em 2016. Ou seja, há um processo inflacionário, mas as ações do BC para contê-lo estão restritas", afirmou.

A restrição percebida por Senna se deve a uma combinação de três fatores: o quadro já recessivo da economia, a instabilidade política e o medo de uma alta dos juros ter o efeito contrário, em razão do desequilíbrio fiscal (a chamada dominância fiscal). "Para subir os juros, é preciso ter o momento adequado. E as condições de hoje não comportam essa percepção", afirmou. Diante dessa falta de ação do BC, Senna acredita que a tarefa de conter o avanço da inflação foi transferida para os poderes Executivo e Legislativo, que o fariam por meio da política fiscal.

Expectativas. A decisão de dois diretores do BC de defenderem a alta da Selic de 0,50 ponto porcentual na reunião de ontem parece sinalizar que há sérios riscos de as expectativas ficarem desancoradas diante do quadro inflacionário, disse José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista-chefe da Opus Gestão de Recursos. O Copom manteve os juros em 14,25% ao ano, por seis votos, mas dois foram favoráveis à elevação para 14,75%.

"O mercado entenderá que o BC colocou um viés de alta para os juros para a próxima reunião de janeiro", destacou Camargo, que avalia não estar claro qual será a posição do Copom no primeiro encontro de 2016. "Os dois diretores que votaram a favor da elevação da Selic precisarão convencer os outros dirigentes do BC sobre suas avaliações. O BC está certo em ter foco exclusivo no combate à inflação, apesar da forte retração do nível de atividade."

 

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