WILTON JUNIOR/ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Para economista, troca de governo é mudança para melhor e já criou ambiente positivo

Para economista-chefe da Quantitas Asset Management, há um certo otimismo com relação à intenção do governo de apostar em medidas consideradas importantes

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 10h25

PORTO ALEGRE - O economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont, avalia que a troca de governo representa uma mudança para melhor, o que, por si só, já criou um ambiente positivo. Segundo ele, o mercado financeiro tem confiança de que Michel Temer está formando uma boa equipe. O que estará no centro das atenções, a partir de agora, é o grau de dificuldade que a nova administração terá para passar medidas mais delicadas pelo Congresso. "Você contratou bons jogadores, agora eles têm que entrar em campo e dar resultado", disse.

Para Chermont, há um certo otimismo com relação à intenção do governo de apostar em medidas consideradas importantes, e que não dependem do Congresso, como a abertura de processos de concessão e o redirecionamento do comércio exterior. "As pessoas que eles estão colocando lá têm o remédio certo para a doença", disse. No entanto, também há necessidade de reformas estruturais, como a da Previdência, que precisam ser aprovadas pelo Parlamento. "O preço da curva de juros, por exemplo, será outro se isso por acaso passar. O que está no preço hoje incorpora esta mudança de governo, mas não leva em conta as mudanças estruturais."

Ele explicou que a Quantitas trabalha com um "otimismo cauteloso" para o cenário econômico em 2017, basicamente porque as medidas que deverão ser tomadas mais neste primeiro momento terão efeitos principalmente no médio e no longo prazo. "A recuperação será gradual. Vai se criando um ambiente favorável, mas o efeito não vem todo tão rápido", disse. "O Temer já vai fazer um trabalho extraordinário se ele conseguir deixar a casa limpa para o próximo governo."

A Quantitas prevê um avanço de 0,6% do PIB em 2017. "Na nossa cabeça há um crescimento potencial em torno de 2%, mas a gente acha que o buraco é grande demais, que tem muitos obstáculos para o Brasil crescer mais", disse, acrescentando que o buraco fiscal, por exemplo, vai demorar a ser sanado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.