Para economista da FGV, alta de preços deve continuar

Os preços no atacado dispararam em outubro e elevaram a inflação medida pelo Índice Geral de Preços 10 (IGP-10) para 3,32%. A expectativa do economista da FGV, Salomão Quadros, é que a alta prossiga em novembro, já que a coleta para o próximo índice foi iniciada com dólar a R$ 3,90, enquanto o dólar médio da coleta do mês de outubro (realizada entre 11 de setembro e o último dia 10) foi de R$ 3,60. No entanto, ele preferiu não fazer previsões sobre o índice. Em outubro, o Índice de Preços por Atacado (IPA) subiu 4,81%, porcentual bem superior aos 3,35% registrados no mês passado.As maiores pressões no atacado foram exercidas por produtos diretamente ligados ao dólar, como a soja (14,47%), o trigo (30,25%), o café em côco (26,39%) e o cacau (30,07%). Quadros lembrou que o dólar estava cotado em R$ 3,11 no primeiro dia de coleta e chegou ao último dia valendo R$ 3,92. "O IGP-10 registrou esse pico", explicou. Quadros salientou que os aumentos estão ocorrendo com maior força em vários estágios da cadeia produtiva, desde as matérias-primas brutas (7,51%) até os bens duráveis (2,82%)."Os aumentos de preços estão chegando aos bens finais e, portanto, mais perto do consumidor, disse. A alimentação manteve forte impacto no atacado e registrou aumento de 5,58% em outubro, ante 3,54% em setembro.O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu para 0,77% em outubro, porcentual pouco acima de 0,70% verificados em setembro. O maior aumento em outubro no varejo ocorreu no item alimentação (1,61%), com destaque para o óleo de soja (10,76%), tomate (9,81%), arroz branco (5%) e pão francês (2,88%). Ocorreram aumentos influenciados pelo dólar também em não alimentícios como passagens de avião (6,47%).Quadros ressaltou que os aumentos no atacado ainda estão descolados do consumidor. Enquanto o IPA-10 registrou aumento acumulado de 17,85% no ano, o IPC-10 cresceu 6,19%. Segundo ele, esse descolamento é resultado da demanda enfraquecida mas também da tradição de não ocorrência de repasses integrais do atacado para o consumidor. Mas lembrou que alguns produtos em alta no atacado, como soja, trigo e café em côco, permanecem com potencial de alta no varejo. O IGP-10 acumulou variação de 13,53% no ano e de 15,45% em 12 meses.

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