Para economistas, governo pode gerar emprego cortando juro

Eles são unânimes em defender que redução da Selic é um instrumento com espaço para ser usado no País

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

15 de janeiro de 2009 | 15h16

Quando o assunto é a melhor forma para estimular o emprego durante a atual crise financeira internacional, é consenso mesmo entre economistas de diferentes escolas e vertentes que a melhor medida que o governo pode tomar é reduzir os juros. A menos de uma semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os economistas concordam que um corte da Selic, que está atualmente em 13,75%, pode ajudar a estimular a atividade econômica e a demanda, o que, por sua vez, influenciam diretamente o emprego.  Veja também:   De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  "O Brasil tem um instrumento com muito espaço para ser usado que é a redução dos juros", destaca Edward Amadeo, PhD em Economia pela Harvard University e ex-ministro do Trabalho durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Em sua avaliação, uma coordenação entre as políticas fiscal e monetária seria "muito positiva" para o País. Para tanto, ele explica que o governo deveria adotar uma postura mais transparente com relação à área fiscal e oferecesse essas condições como parâmetro de atuação ao Banco Central. "O melhor seria que o País fizesse quase nada na área fiscal e deixasse o Banco Central reduzir os juros tanto quanto precisasse. Talvez essa seja uma excelente oportunidade para a taxa de juros no Brasil ir abaixo de 10%", aponta. A visão sobre a necessidade de reduzir os juros é compartilhada por Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp, escola brasileira posicionada mais à esquerda no campo teórico econômico. Para ele, a combinação entre a queda dos juros e a flexibilização da meta para superávit primário permitiriam ao governo contribuir para o crescimento. Dedecca também acredita que essas medidas também abririam a possibilidade para o governo fazer "alguma desoneração fiscal em alguns segmentos que porventura encontrem maior dificuldade de crescimento em 2009". Dedecca ressalta que o governo pode tomar medidas para estimular investimentos, a infraestrutura e financiar a produção. "A postura complicada do governo está na política monetária, na minha opinião", critica. Ele destaca que a manutenção dos juros nos níveis atuais tem afetado as empresas principalmente com a situação de escassez de crédito, o que obriga bancos a pagar um prêmio para captar recursos, encarecendo dessa forma os empréstimos. "Você vai resolver a crise dentro da política econômica, dentro da ampliação do investimento público, na redução das taxas de juros, na ampliação dos gastos públicos e sociais, ampliando o seguro-desemprego", acrescenta José Krein, professor e diretor-adjunto do Instituto de Economia da Unicamp. Entretanto, o professor da PUC-RJ e economista da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo, ressalta que mesmo havendo espaço para uma queda dos juros, o efeito que tal medida teria sobre a economia teria uma defasagem de seis a nove meses. "Da mesma forma que os juros não afetam a economia quando eles estão subindo no curto prazo, eles também não afetam quando estão caindo no curto prazo. Eles afetam em um prazo mais longo", explica. Ele acredita que uma queda da taxa básica só deve começar a fazer efeito sobre o nível de atividade no segundo semestre.

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