Para Embraer, crise não acaba antes de 2011

Empresa conseguiu recuperar lucratividade, mas continua com queda de 30% na produção

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

No dia 19 de agosto, a Embraer comemorou 40 anos de fundação. A data marcou também um outro momento nada festivo na história da fabricante de aviões: seis meses da demissão de 4.200 trabalhadores, o maior corte de pessoal realizado por uma empresa brasileira nesta crise. As demissões, aliadas a uma série de outras medidas de redução de custos e mais a valorização do dólar, ajudaram o balanço da empresa. No segundo trimestre deste ano, a Embraer teve lucro líquido de R$ 466,9 milhões , alta de 31% em relação ao período de abril e junho do ano passado (R$ 356,5 milhões).A empresa entregou 56 aviões no período, número que supera as entregas do primeiro trimestre (40) e também as do segundo trimestre do ano passado (52). Na avaliação do presidente da Embraer, Frederico Curado, o pior da crise já passou e a empresa está ajustada para atravessar este ano e o próximo. No entanto, o executivo não acredita em uma recuperação do setor antes de 2011. "Os anos de 2009 e 2010 serão difíceis para a aviação", afirmou o executivo, em uma entrevista recente. Em 2009, a Embraer deve ver sua receita encolher US$ 800 milhões, de US$ 6,3 bilhões para US$ 5,5 bilhões. Com o cancelamento de entregas, o ritmo da produção caiu 30% em relação ao ano passado. Só no primeiro semestre, foram 27 cancelamentos.Para o ano, a empresa prevê a entrega de 242 aeronaves, 38 a mais do que no ano passado. No entanto, a expectativa é de queda nas entregas de aviões de grande porte - portanto, mais caros - e de aumento no número de jatos pequenos. Das entregas do ano passado, 202 jatos eram de grande porte e apenas dois de pequeno porte. Para 2009, a expectativa é entregar 132 de grande porte e 110 de pequeno porte. Para preservar o caixa, a Embraer reduziu em US$ 100 milhões os investimentos previstos para 2009, que eram de US$ 450 milhões. Foram mantidos os aportes para a construção de plantas nos Estados Unidos e em Portugal.As obras para a primeira de duas fábricas na cidade portuguesa de Évora, um investimento de 148 milhões, começaram em junho e a inauguração está prevista para 2012. A fábrica dos EUA, na Flórida, vai custar US$ 50 milhões. As obras começaram no fim de 2008 e devem ser concluídas em 2010.

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