Para empresários, plano da Petrobrás ainda é só 'um sonho'

Abimaq diz que empresas do setor de óleo e gás estão demitindo pessoal por falta de encomendas

O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h09

Uma das grandes dúvidas em relação ao desenvolvimento da cadeia de fornecedores de equipamentos para o setor de óleo e gás é a competitividade do produto nacional diante de multinacionais altamente qualificadas. Além do câmbio, os equipamentos fabricados no Brasil embutem os custos de uma elevada carga tributária e de uma infraestrutura precária.

Desde a 7.ª Rodada de licitações, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) impõe exigências mínimas de conteúdo local para uma relação de itens da área de exploração e produção. Os porcentuais podem variar de 37% a 85%, dependendo da localização do projeto, se em águas profundas, águas rasas ou terra.

A imposição de limites de conteúdo local foi uma forma que o governo encontrou para transformar a Petrobrás numa indutora da política industrial brasileira. O mercado financeiro, no entanto, torce o nariz para a medida. Eles avaliam que a estatal tem perdido dinheiro ao comprar equipamentos no País. Isso estaria provocando o aumento de custos e atrasos em projetos estratégicos.

Entre os integrantes do governo, a justificativa é que grandes produtores de petróleo, como a Noruega, tiveram sucesso ao seguir esse caminho. Com o Brasil não poderia ser diferente. Não desenvolver a indústria local seria desperdiçar oportunidade, diz uma fonte ligada ao governo.

Mas, no setor produtivo, o plano ainda é visto com ceticismo por muitos empresários. "Ainda é um belo sonho", diz o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso. Segundo ele, há controvérsias em relação à forma como as petroleiras contabilizam o conteúdo local nos projetos. "Em alguns casos, só com os serviços a empresa já atinge o porcentual mínimo estabelecido", diz. Velloso afirma que muitas fabricantes de máquinas e equipamentos para óleo e gás estão ociosas no Brasil. "As empresas estão demitindo por falta de encomenda."

O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Fernando Zilveti, especialista em finanças públicas, acredita que o apoio do BNDES possa melhorar a competitividade das empresas nacionais no setor. Para ele, não deixa de ser uma forma de subsídio, como ocorre em outros países. "A Alemanha, por exemplo, recebe financiamento estatal para exportar."

Segundo ele, o financiamento estatal muda a lógica das empresas, que passam a ser mais competitivas pelo crédito de baixo custo. Por outro lado, o risco fica com o BNDES, no caso de as empresas não honrarem os compromissos. Zilveti diz ainda que todos os países produtores de petróleo fazem programa de desenvolvimento dos fornecedores. "A Noruega fez e deu certo. Mas não podemos comparar a Noruega com o Brasil. Eles têm as contas públicas redondinhas." / R.P.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.