Para empresas, só ajuda do governo evita falência

A China domina a produção mundial de painéis solares fotovoltaicos, mas as grandes empresas do setor carregam débitos bilionários, cujo pagamento é cada vez mais difícil diante da queda da demanda global pelo produto. Estudo do banco de investimentos americano Maxim Group estima que as dez maiores fabricantes chinesas têm dívidas de US$ 17,5 bilhões (R$ 35,4 bilhões), o suficiente para construir dois trens-balas entre Campinas e Rio de Janeiro.

PEQUIM , O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h07

É pouco provável que elas consigam sobreviver sob essa montanha de dívidas sem injeção de recursos públicos, que já começou a ser feita em alguns casos. Sede da LDK, a cidade de Xinyu, na Província de Jiangxi, decidiu em julho assumir 500 milhões de yuans (R$ 159,26 milhões) em financiamentos que a empresa não conseguiu pagar.

Segundo a revista financeira Caixin, o governo de Jiangxi prometeu a representantes de bancos injetar 2 bilhões de yuans na LDK para evitar o calote. Na avaliação do Maxim Group, tanto a LDK quanto a Suntech estão à beira da falência.

Líder mundial do setor, a Suntech tem sede em Wuxi, na Província de Jiangsu, e tem dívida líquida de US$ 1,6 bilhão. A já difícil situação se agravou em julho, quando a empresa revelou ter sido vítima de fraude financeira no valor de US$ 680 milhões.

O espectro da falência também ronda os empreendedores imobiliários, alvo de medidas restritivas do governo a partir de 2010 para conter a explosão de preços e desinflar a bolha que envolvia do setor.

Com dificuldade em obter crédito nos bancos, muitas empresas recorreram ao mercado subterrâneo, no qual as taxas são muito maiores que as oficiais. Essas linhas foram alimentadas por chineses que buscaram rentabilidade superior aos juros negativos dos depósitos bancários.

As operações informais estiveram na origem da crise financeira que explodiu na cidade de Wenzhou em outubro de 2011, depois que pelo menos 80 empresários fugiram e dois se suicidaram por não conseguir pagar dívidas contraídas nesse mercado.

O impacto das quebras na Província de Zhejiang - uma das mais ricas da China - é potencializado pela rede de garantias mútuas de crédito que une muitas das empresas privadas da região.

O potencial efeito dominó ficou claro no caso da construtora Tianyu, que pediu falência em dezembro de 2011. A empresa tinha um acordo mútuo de garantia de crédito com a fabricante de móveis Jiayi, que por sua vez tinha contratos semelhantes com outras 30 companhias, que terminaram afetadas pela falência. / C.T.

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