Para especialista, ANP se antecipou ao falar sobre reserva

Para geólogo e professor da UFRJ, estimativa para campo de Pão de Açúcar, na Bacia de Santos, é otimista

Kelly Lima, da Agência Estado,

14 de abril de 2008 | 17h47

As divulgações sobre a possibilidade de a área de Carioca/Pão de Açúcar, na Bacia de Santos, ter até 33 bilhões de barris de óleo equivalente em seus reservatórios foi recebida com cautela por especialistas, consultores e técnicos do setor. "Acho que foi totalmente extemporânea esta divulgação. A ANP se antecipou", comentou o geólogo e professor da UFRJ, Giuseppe Bacoccolli.  Veja também:Área na Bacia de Santos pode ter até 5 vezes o volume de TupiDescobertas em Santos dependem de estudo, diz PetrobrasPetrobras dispara e 'segura' queda do IbovespaPetrobras dispara com notícia sobre descoberta. É hora de comprar?Acompanhe online a cotação das ações da PetrobrasA história e os números da PetrobrasA maior jazida de petróleo do PaísA exploração de petróleo no Brasil Em sua opinião, a perfuração de apenas um poço no local, o bloco BM-S-9, não permitiria tecnicamente uma afirmação contundente a respeito do volume de óleo encontrado em uma área. "O que costuma ser feito nestas ocasiões é um exercício para quem está interessado em divulgar notícias otimistas, que é o de multiplicar o volume encontrado nesse primeiro poço pela área total do campo, admitindo para isso que as características de porosidade e demais variáveis encontradas neste primeiro poço se repitam em toda a extensão da área", comentou. "Estou estupefato", afirmou o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Sebastião do Rego Barros, ao comentar a afirmação do atual diretor geral da reguladora, Haroldo Lima, sobre as potenciais reservas em Carioca/Pão-de-Açúcar. Ele lembrou que, se confirmada esta informação, o Brasil passa com este volume a ocupar uma posição privilegiada entre os produtores de petróleo no mundo. "Apesar de esta informação já estar circulando no mercado, é a primeira vez que ouvimos isso de uma fonte oficial", afirmou. Para o secretário executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP), Paulo Guimarães, há o temor de que as revelações de descobertas no pré-sal atrasem futuras licitações. "É preciso que haja uma continuidade no processo, especialmente nas áreas terrestres, onde está sendo atraído o capital do pequeno investidor e que não tem nada com isso", disse. Ainda para o professor da UFRJ, Giuseppe Bacoccolli, esta antecipação das informações sobre as possíveis reservas do pré-sal na Bacia de Santos podem estimular uma onda nacionalista.  "Considerando os volumes que já foram divulgados para Tupi, Jupiter e Carioca, já temos mais de 50 bilhões de barris e em áreas com participação acionária da inglesa BG, da espanhola Repsol e da portuguesa Galp, isso sem nem falar nas demais empresas que participam de outras áreas no entorno", disse.  "Considerando ainda que parte dessas concessões vai assumir mais de 20 bilhões de barris, ou seja, que já estamos cedendo mais até do que possuímos em reservas provadas hoje para empresas estrangeiras, acho perigoso. Em vésperas de eleições isso pode ser usado em campanhas daqui a um e dois anos. É preciso muito cuidado em como explorar estas informações", destacou.

Tudo o que sabemos sobre:
PetróleoPetrobrasPão de Açúcar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.