Para especialista do Ibevar, varejo físico costuma supervalorizar onda da Black Friday

Data de promoções tem mais apelo no comércio eletrônico brasileiro

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2018 | 21h28

Patricia Cotti, do Ibevar, avalia que a falta de movimento e a supervalorização da Black Friday em lojas físicas é comum no Brasil. “Diferente dos Estados Unidos, a data, aqui, começou no e-commerce, as lojas físicas vieram depois”, afirma.  

A reportagem do 'Estado' esteve em diferentes shoppings da capital paulista durante a tarde de hoje e conversou com diversos lojistas, que afirmaram que o movimento nos centros comerciais não mudou com os descontos e condições especiais de pagamento oferecidas na data. 

Os números das vendas online mostram, de fato, que na internet, a data já supera o último ano. As vendas totalizaram R$2,1 bilhão pouco depois das 17h desta sexta-feira (23), o mesmo faturamento total de 2017, apontam dados da Ebit|Nielsen.

Para Patrícia, é comum o erro dos lojistas acumularem estoques para a Black Friday e não conseguirem queimar, gerando custos de armazenamento que se estendem até janeiro, quando fazem os saldões de início de ano.

Ela explica que, como eletrônicos são os produtos mais procurados nessa sexta-feira, o consumidor opta pela compra online justamente para pesquisar melhor os preços, já que esses itens exigem um investimento maior.

O tempo estendido de promoções também pode ter ajudado a pulverizar o movimento de clientes. Patrícia afirma que a antecipação de datas comemorativas e de sazonalidade é uma tendência mundial, e que, no Brasil, a Black Friday também foi atingida por essa predisposição.

“Usa-se a palavra Black Friday como promoção normal, para tentar manter todo o mês em alta, até porque, quando se concentra em um dia só, traz problemas de infraestrutura”, mas ela alerta que a alta de estoques se torna um problema se a Black Friday for tratada dessa maneira.

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