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Para especialistas, Brasil não está pronto para Alca

A se julgar pelo seminário "Alca e seu Impacto no Desenvolvimento Tecnológico Brasileiro", organizado pela Fundação Casimiro Montenegro Filho, se persistirem as atuais condições, a indústria brasileira será prejudicada ao ingressar na Área de Livre Comércio das Américas, prevista para vigorar a partir de 2006. As conclusões, divulgadas hoje, revelam que as empresas brasileiras não vêm dando a devida atenção às negociações para a criação da Alca, nem se preparando para enfrentar a futura realidade tarifária. O nível de competitividade média brasileira está abaixo do que será exigido no novo cenário. As áreas de educação, tecnologia e estrutura de pesquisa e desenvolvimento, particularmente, estão muito aquém das necessidades impostas pelo desafio da Alca.O evento, que reuniu mais de 200 empresários, profissionais da área de educação, de pesquisa, de desenvolvimento tecnológico e de relações internacionais, mostrou, ainda, que o modelo adotado pelo governo para as negociações não inclui todos os segmentos da sociedade que serão afetados pela criação da área, principalmente na base tecnológica, e que o protecionismo dos países ricos não deve ser uma desculpa para o Brasil deixar de se integrar com outros mercados. "A integração ajudará o País a explorar mais suas vantagens comparativas, a aumentar a escala de produção das empresas e a atrair investimentos, mas somente se conseguirmos nos preparar melhor", disse o vice-presidente da Fundação, José Luiz Bichuetti.De acordo com o documento que sintetiza a avaliação dos palestrantes no seminário, que aconteceu em abril, o País não tem uma política industrial definida. Isso implica o desconhecimento sobre quais os setores ?ganhadores? e quais os ?perdedores? com a integração econômica. "Não conseguimos saber nem as áreas em que precisamos de alguma proteção. Fica muito difícil estabelecermos as barganhas", alertou Bichuetti.O distanciamento entre a universidade, os institutos de pesquisa e a indústria é um obstáculo para o desenvolvimento tecnológico sustentável e competitivo, e são escassos os recursos financeiros de baixo custo para estímulo a essa atividade, tanto no setor privado quando no acadêmico, concluiu o documento, que será entregue ao Itamaraty, ao Ministério de Ciência e Tecnologia e à Comissão da Alca da Câmara dos Deputados.As principais recomendações do seminário incluem a criação de uma estrutura que envolva toda a sociedade no processo de negociação da Alca, em particular o setor de tecnologia, e de um sistema de comunicação eficiente para esclarecer o andamento das negociações.Outras sugestões são: estabelecer uma estratégia clara para as negociações, definindo o que o País quer com a Alca; convencer as empresas sobre a importância de avaliar os impactos de acordos de comércio internacionais em seus negócios, e se preparar para participar das negociações junto ao governo; priorizar investimentos governamentais em projetos tecnológicos como meio de aumentar a competitividade, fomentar o aprimoramento da mão-de-obra altamente especializada e desenvolver centros de tecnologia; reduzir o custo Brasil por meio da reforma tributária; disponibilizar capital em volume e recursos adequados; incentivar fortemente o envolvimento da indústria com a educação, a tecnologia e uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento; estimular, apoiar e dar condições para o desenvolvimento da tecnologia e da inovação nas pequenas e médias empresas brasileiras, tornando-as capazes de competir interna e externamente - fator crítico para o sucesso da inserção do País na Alca; estimular a verticalização da cadeia produtiva brasileira, beneficiando a transferência de tecnologia, a geração de empregos, as exportações de maior valor agregado, pesquisa e desenvolvimento, as alianças estratégicas e os pólos de desenvolvimento.

Agencia Estado,

05 de junho de 2002 | 17h14

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