coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Para especialistas, FED não elimina incertezas

Apesar de terem avaliado como positivo o comunicado no qual o Federal Reserve explicou a manutenção da taxa dos Federal Funds, de 5,25% ao ano, em agosto, analistas brasileiros avaliaram para a Agência Estado, que ainda persistem as incertezas relacionadas a inflação e a atividade americanas, o que deve levar a uma manutenção da volatilidade observada nos mercados desde maio deste ano.Para os especialistas, o comunicado do FED foi claro e deixou aberta a possibilidade de continuidade do aperto monetário. Portanto, para os analistas locais, ainda é cedo para afirmar que a taxa de juros americanas atingiu a estabilidade, dado que o FED explicitou, no próprio comunicado que "A extensão e o momento para qualquer aperto adicional que possa ser necessário para lidar com esses riscos vão depender da evolução da perspectiva tanto para a inflação como para o crescimento econômico.""Acho que a partir de agora os números da atividade ganham uma importância maior, dado que o FED vê a sustentação das pressões inflacionárias, por conta dos preços de energia e commodities, mas ainda não sabe exatamente o efeito que o aperto monetário terá sobre o crescimento", diz Solange Srour, economista da Mellon Global Investments, que ressalta o risco de uma desaceleração do PIB americano em uma grandeza maior que a esperada."Sempre existe o risco de uma desaceleração que leve o produto para baixo do PIB potencial, mas ainda creio que esse é um risco pouco elevado ", avalia a economista da Mellon Global Investments, que vê, na próxima quarta-feira, quando saem os dados do CPI e da produção industrial americana, uma data relevante para os mercados. "São dois dados importantes, um de inflação e o outro de atividade, que devem ter um peso nas próximas projeções", diz.O economista e sócio do Pátria Hedge Funds, Luis Fernando Lopes, projeta uma sustentação da volatilidade internacional nos próximos doze meses, motivada pelas mesmas razões vistas agora. "As pressões inflacionárias se arrastam pelos últimos dois anos e devem se perpetuar em 2007, com a atividade perdendo fôlego, sem que fique claro o momento em que será possível estabilizar a taxa de juros", diz Lopes, que ainda projeta mais uma elevação da taxa dos Federal Funds. "O problema é que não dá para elevar para 6,5%, sob o risco de gerar uma recessão, portanto é difícil saber se a inflação se dissipará com o aperto feito até agora".O economista concorda com a avaliação de que o nível da atividade americana ultrapassa a inflação no peso dado a cada um nas análises de risco dos agentes do mercado, "numa proporção de 60% a 40%", mas que é impossível reduzir muito o temor que advém dos riscos inflacionários que ainda persistem na economia dos Estados Unidos. "Não dá ignorar a inflação, porque existem uma série de fatores externos, como risco geopolítico que influencia o petróleo, que ainda podem jogar os preços para cima", analisa.Novo fluxoA pausa na elevação da taxa americana, entretanto, pode levar a uma novo fluxo de recursos, mesmo que curto, para o países emergentes, entre eles, o Brasil. Para os analistas, esse movimento também será influenciado pela volta das férias dos mercados no hemisfério norte, que ocorre a partir da segunda metade deste mês. Mas isso não implica na formação de uma nova tendência para os mercados, advertem. "Com há dados de atividade saindo quase que diariamente, a tendência é de que os movimentos do mercado continuem instáveis", diz Solange, da Mellon.A economista do Espírito Santo Investment, Sandra Utsumi, crê que, mesmo que incerta, a avaliação do FED é suficientemente crível para que se espere uma redução da atividade, que ajude nos indicadores inflacionários. "Não é o caso de se precificar um cenário de estresse, com, por exemplo, o petróleo passando dos US$ 80, e a economia americana entrando em recessão. Acho que chegamos a uma encruzilhada e é preciso aguardar a materialização do efeito da alta dos juros sobre a economia dos Estados Unidos", concluiu.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2006 | 19h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.