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Para especialistas, resultado do PIB é positivo, mas base de comparação é fraca

Economistas destacaram melhora em investimentos e no consumo das famílias

Caio Rinaldi e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2018 | 10h42

Na opinião de especialistas, a expansão de 0,8% do PIB no terceiro trimestre de 2018 ante o trimestre anterior reforça o cenário de recuperação gradativa da economia brasileira. Alguns deles apontam, no entanto, que a base de comparação é deprimida, já que o resultado do PIB do segundo trimestre foi impactado negativamente pela greve dos caminhoneiros.

Nas palavras do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o cenário é semelhante ao de um paciente que já saiu da UTI e agora inspira menos cuidados. 

"No terceiro trimestre dessazonalizado ante o segundo, teve impacto da Copa do Mundo e da paralisação dos caminhoneiros. Os cálculos matemáticos de dessazonalização não captam a influência deste tipo de evento em sua plenitude, apenas uma parte", explicou o economista.

Segundo o economista-chefe da Spinelli, André Perfeito, a alta do PIB foi puxada pelos investimentos (FBCF). O resultado surpreendeu o economista, que esperava um crescimento menor no trimestre, de 0,3%.

"Nos surpreendeu numa primeira leitura a alta na margem de 6,6% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Na comparação com o mesmo período do ano passado o crescimento foi de 7,8%", disse Perfeito.

De acordo com ele, pode ter na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) um efeito base na margem uma vez que no segundo trimestre a greve dos caminhoneiros teve impacto relevante na Produção Industrial. "Mas mesmo assim o resultado foi positivo".

Vale notar, diz o economista, que o próprio IBGE aponta como razão da alta fatores pontuais no setor de Óleo e Gás decorrente de modificações no regime Repetro.

Em nota distribuída aos clientes, o economista do Santander, Lucas Nóbrega, destacou a absorção doméstica, com expansão de 1,5%, enquanto o setor externo entrou na somatória das contas nacionais com um recuo de 0,3%.

"Todos os setores ofertantes do PIB, como agropecuária, indústria e serviços tiveram expansão no trimestre passado. Pelo lado da demanda, a absorção doméstica, com crescimento de 1,5% contribuiu positivamente enquanto o setor externo, com queda de 0,3% contribuiu de forma negativa", disse Nóbrega.

Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o PIB do terceiro trimestre deste ano cresceu 1,3%.

"Esses resultados são claramente favoráveis. Porém, vale a pena dar um desconto para o frágil desempenho do PIB no segundo trimestre, quando teve ligeira alta de 0,2%, explicado pela paralisação no setor de transportes em maio e que deixou uma base de comparação muito deprimida para a leitura do trimestre seguinte", ponderou o economista do Santander, acrescentando que "devemos apreciar os bons números do PIB entre julho e setembro, mas com certa moderação".

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