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Para especialistas, revisão da Pnad mantém retrato da pesquisa

Se antes o quadro da concentração de renda na Pnad registrava estabilidade com leve alta, agora é estabilidade com leve baixa

Alexa Salomão, Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2014 | 02h09

A revisão dos dados da Pnad 2013 pelo IBGE mantém, em termos gerais, o retrato mostrado pela pesquisa, divulgada na quinta-feira, segundo especialistas. Mesmo com a forte mudança no crescimento do rendimento médio real, que passou de 5,7% na primeira versão para 3,8% na revisão, o quadro da concentração de renda tende à estabilidade. Se antes registrava estabilidade com leve alta, agora é estabilidade com leve baixa.

"Os números da revisão fazem mais sentido", disse o vice-presidente do Insper, Marcos Lisboa, que, como secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda durante o primeiro governo de Lula, participou da criação do Bolsa Família e acompanha de perto os estudos sobre desigualdade.

Lisboa olhou os resultados parcialmente, pois estava em viagem ao México quando os dados foram divulgados e revistos. Para ele, como a revisão altera casas decimais, o resultado permanece praticamente o mesmo.

Segundo o estatístico Samuel Franco, da empresa OPE Sociais e pesquisador associado do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), muito provavelmente a desigualdade medida pelo Índice de Gini caiu, em vez de subir como mostrara a Pnad na quinta-feira, porque a alta da renda dos 10% mais ricos perdeu força na revisão. "A queda da desigualdade está perdendo força de qualquer forma", disse Franco.

Ontem à noite, ele ainda aguardava os microdados revisados serem atualizados no site do IBGE, o que ocorreu apenas às 19h45, enquanto dava entrevista ao Estado.

Apesar dos questionamentos sobre ingerência política, Franco e Lisboa defenderam a credibilidade do IBGE. Para Lisboa, pode até ter havido pressão política, mas duvida que a equipe do IBGE cederia a qualquer ingerência do governo. Para ele, o que ocorreu foi "um erro técnico infeliz". "Tenho plena confiança no histórico do IBGE, uma instituição reconhecida internacionalmente."

Ainda segundo Lisboa, o IBGE tem reputação no acesso a bases de dados e na qualidade das informações. "Nos últimos anos, a restrição orçamentária tem levado à interrupção de diversas pesquisas importantes, com prejuízo para todos nós, mas isso não prejudica a qualidade e responsabilidade dos seus dirigentes", completou Lisboa, por telefone, pouco antes de embarcar de volta ao Brasil.

Lisboa e Franco destacaram a rapidez com que o IBGE corrigiu o erro como uma virtude. "Pior seria se alguém descobrisse o erro. Confio mais ainda nos dados deles porque sei que se houver erros eles vão se acusar", afirmou Franco.

Para o economista-chefe da IVX Global Partners, Eduardo Velho, apesar de o Índice de Gini, que mede a concentração de renda, ter caído de 0,496 em 2012 para 0,495 em 2013 , a redução foi muito pequena se comparada a outros anos. Para o economista, a redução é resultado da estagnação da economia./ COLABOROU IGOR GADELHA

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