Para especialistas, roubo expôs falhas de segurança

Em mãos de concorrentes, dados poderiam permitir uma melhor avaliação das descobertas da Petrobrás

Nicola Pamplona, Rio, O Estadao de S.Paulo

29 de fevereiro de 2008 | 00h00

O furto de dados sigilosos Petrobrás transportadas em um contêiner expôs falhas no sistema de segurança de informações da estatal, avaliam especialistas. A opinião foi reforçada pelo próprio governo, em nota após a divulgação do episódio pelo Ministério da Justiça. Se caíssem em mãos de concorrentes, diz um executivo próximo ao projeto Júpiter, os dados sobre a descoberta gigante de gás poderiam garantir melhores condições de avaliação do potencial de reservas abaixo da camada de sal na Bacia de Santos.Os computadores da Halliburton que foram roubados no fim de janeiro continham detalhes sobre o poço descobridor de Júpiter, como o tipo de rochas encontradas na perfuração, pressão e permeabilidade do reservatório. Tais informações, se comparadas com dados sísmicos já disponíveis na Agência Nacional do Petróleo (ANP), podem ser usadas na avaliação de projetos próximos, dizem especialistas.A descoberta de reservas abaixo da camada de sal foi ''''a notícia exploratória mais excitante'''' de 2007, na opinião da consultoria PFC Energy. ''''Se for tudo isso que dizem, é a descoberta do século'''', diz artigo da revista The Economist publicado no início da semana. Diante disso, o governo elevou o caso a ''''questão de Estado'''' e determinou à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que acompanhasse as investigações.A Petrobrás pouco se pronunciou sobre o incidente, limitando-se a uma nota confirmando o furto de ''''informações importantes'''' e, mais tarde, a uma entrevista de seu presidente, José Sérgio Gabrielli, ao site Terra Magazine. De Buenos Aires, onde acompanhava o presidente Lula, Gabrielli confirmou que se tratavam de dados sobre Júpiter e disse que a empresa deveria rever o sistema de segurança, apagando quaisquer informações dos computadores usados em plataformas antes do desembarque.''''Como informações tão valiosas são transportadas dentro de computadores e a área responsável pela segurança não toma providências para evitar furtos? A menos que o setor não tenha sido devidamente ouvido, ou que a política e procedimentos tenham sido ignorados'''', questionou David Fernandes da Silva, diretor da Previne Security, especializada em segurança de informações.Logo nos primeiros dias de investigações, o Ministério da Justiça alertou para falhas na segurança. ''''As investigações já estão em curso e, independentemente da motivação do crime, elas revestem-se de importância em função da possível fragilidade do sistema de segurança para o transporte de informações reservadas que o episódio evidenciou'''', diz o texto, divulgado no dia 17.No mercado de petróleo, porém, há uma corrente que acredita que o episódio foi superdimensionado e poderia ser usado para justificar mudanças na legislação do setor de petróleo. De fato, entidades como a Federação Única dos Petroleiros (FUP), não demoraram a pedir a suspensão dos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP)após a divulgação do roubo das informações. ''''Acho que a próxima conclusão da Po lícia Federal será a de que não havia ali dados dessa importância toda'''', comentou o consultor Jean Paul Prates.

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