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Para estancar crise, BR Pharma vende Mais Econômica e terá novo aporte

Fundo de investimento Verti Capital paga R$ 44 milhões por rede gaúcha de 160 farmácias que pertencia ao BTG Pactual

Mônica Scaramuzzo, Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2015 | 05h00

A BR Pharma, empresa de varejo farmacêutico controlada pelo BTG Pactual, vendeu a rede gaúcha Mais Econômica por R$ 44 milhões para o fundo de investimento carioca Verti. O mercado considera o negócio do BTG um “ponto fora da curva” dentro do setor farmacêutico, que tem crescido mais de 10% ao ano. Em processo de reestruturação desde 2013, a BR Pharma está altamente endividada e também deverá receber novo aporte de R$ 600 milhões dos acionistas para tentar estancar a crise.

A Mais Econômica é o primeiro ativo que a BR Pharma consegue vender desde que tomou a decisão de enxugar o portfólio. Terceira maior companhia de farmácias do País, atrás das líderes Raia Drogasil e SP Pacheco, a BR Pharma vem fazendo um esforço para integrar seu heterogêneo grupo de marcas, que incluía, até agora, seis bandeiras, do Rio Grande do Sul ao Pará.

Com a venda da Mais Econômica, sediada em Canoas, a empresa reduz bastante sua exposição ao mercado do Sul do País, onde não tinha escala. Das 160 lojas da rede, 154 ficam no Rio Grande do Sul e 6 em Santa Catarina. “O valor da transação não é alto, mas o prejuízo de ficar com lojas deficitárias seria maior”, disse uma fonte de mercado sobre o negócio.

Com dívida líquida de R$ 837 milhões no segundo trimestre, a BR Pharma foi criada em 2009 pelo BTG com a ambição de ser líder nacional em farmácias. A empresa cresceu, chegou a 1,2 mil lojas no País, mas se logo se revelou uma colcha de retalhos deficitária. Atualmente, o mercado considera a rede paraense Big Ben, comprada em 2011, seu melhor ativo.

Os problemas da BR Pharma iam da falta de integração entre os diferentes negócios a problemas com os estoques. Diante das dificuldades, a empresa trocou de presidente duas vezes em dois anos. Em 2015, contratou a consultoria de Enéas Pestana (ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar) para acelerar as mudanças e fazer a companhia voltar ao azul. A ideia do BTG, segundo fontes, é recuperar o negócio e vendê-lo, no todo ou em partes. Procurados, BTG e BR Pharma não comentaram.

Estreia do Verti. A aquisição da rede Mais Econômica é o primeiro investimento feito pelo fundo Verti Capital, do Rio de Janeiro. Formado em 2014, a gestora usa capital dos sócios e dinheiro de investidores para comprar negócios e assumir a gestão. No caso da Mais Econômica, os sócios da Verti viajam ainda hoje a Porto Alegre para iniciar o turnaround (melhoria de resultados) da companhia. A empresa chegou a faturar R$ 600 milhões. Em 2015, por causa do fechamento de lojas e da crise, viu a receita cair 15%, para R$ 510 milhões.

A decisão do BTG de se desfazer da Mais Econômica, segundo apurou o Estado, está relacionada ao fato de a rede se concentrar no segmento popular e estar localizada fora do eixo dos negócios de maior peso para a BR Pharma.

Sócio da Verti Capital responsável pela compra da Mais Econômica, Cauê Cardoso conta que a administração da empresa será concentrada em Porto Alegre, o que vai agilizar a tomada de decisões. O objetivo de curto prazo da nova administração é trazer o faturamento da rede de volta ao patamar de R$ 600 milhões para depois expandir o negócio. Além da presença próxima dos sócios da Verti, a empresa terá dois novos executivos responsáveis pelo dia a dia da operação.

Formada por profissionais que já trabalharam em fundos e bancos como Pactual, Gávea e Bozzano, a Verti “estreia” no mercado durante a crise, mas diz acreditar que existem boas oportunidades no Brasil, especialmente fora do eixo Rio-São Paulo. “Se o investidor ficar sentado na Faria Lima (em São Paulo) ou na Dias Ferreira (no Rio), ele certamente não vai ganhar dinheiro”, afirma Cardoso.

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